Lula e Trump surpreendem e abrem novo capítulo na relação Brasil-EUA: Reaproximação desafia narrativa bolsonarista

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta segunda-feira (6) que conversou por videoconferência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A conversa, segundo ele, foi “muito boa” e abriu caminho para um encontro presencial “em um futuro não muito distante”, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Mais do que um simples telefonema, o diálogo marcou um recomeço nas relações entre os dois países — estremecidas nos últimos meses por tarifas comerciais e sanções impostas por Washington — e surpreendeu até mesmo auxiliares do governo brasileiro pelo tom amistoso, quase afetuoso adotado por Trump.

“Falamos principalmente sobre economia e comércio. Nossos países irão muito bem juntos”, disse o republicano em publicação nas redes sociais.

Reaproximação estratégica

A ligação veio após um breve encontro entre os dois presidentes nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, quando Trump revelou ter “gostado” de Lula e destacou uma “química excelente” entre eles. “Ele parece um cara muito legal. Gostou de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com quem eu gosto”, afirmou o norte-americano no discurso que pegou diplomatas de surpresa.

A conversa por vídeo durou cerca de 30 minutos e foi iniciativa de Trump, segundo fontes do Planalto. Lula aproveitou o diálogo para pedir a revisão do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros e das sanções aplicadas a autoridades do país — medidas impostas como retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Embora Trump não tenha se comprometido a rever as restrições, prometeu manter as negociações abertas. O secretário de Estado, Marco Rubio, será o responsável por conduzir as tratativas sobre tarifas, sanções e um possível encontro presencial entre os líderes.

Clima cordial e sinais políticos

O tom da conversa surpreendeu quem acompanhou a reunião. “Trump mostrou-se muito diferente da imagem pública que se tinha dele. Foi afável, até carinhoso”, relatou um interlocutor do governo brasileiro. Lula, por sua vez, ressaltou a necessidade de encontrar um “denominador comum” entre os dois países e chegou a brincar sobre a idade dos dois líderes, ambos octogenários — o que arrancou risos do republicano.

Nenhuma menção direta a Bolsonaro foi feita durante a ligação, o que chamou atenção de auxiliares do Planalto. Trump havia citado o julgamento do ex-presidente como um dos motivos para a adoção do tarifaço, classificando a ação do STF como “caça às bruxas”. Lula respondeu na ocasião que os processos relativos ao 8 de janeiro são competência exclusiva da Justiça brasileira e não admitem ingerência estrangeira.

Brasil e EUA voltam a se olhar como parceiros

Apesar dos atritos recentes, a conversa sinaliza uma tentativa concreta de reaproximação estratégica entre Brasília e Washington. Lula reforçou convites a Trump para participar da COP30, em Belém (PA), e sugeriu um novo encontro bilateral durante a Cúpula da ASEAN, na Malásia. O Planalto também manifestou disposição em enviar o presidente brasileiro aos Estados Unidos.

Do lado americano, ainda não há confirmação oficial sobre a agenda, mas o gesto de Trump — que recentemente endureceu sua política comercial com outros países — indica que o diálogo com o Brasil pode ter prioridade na política externa do seu governo.

Derrota simbólica da extrema direita

Entre aliados de Bolsonaro, o clima é de frustração. A ligação entre Lula e Trump desmonta a narrativa de que a extrema direita brasileira seria a única ponte política com a Casa Branca. A leitura é de que figuras como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo perdem espaço na interlocução direta com Washington — tendência que já se desenhava desde que Trump declarou ter “química” com Lula na ONU.

Agora, a aposta do bolsonarismo é por algum aceno futuro do republicano que reafirme a aliança ideológica construída nos últimos anos. Por ora, no entanto, o cenário é outro: Brasil e Estados Unidos voltam a se reconhecer como parceiros estratégicos, com os líderes dos dois maiores países do continente ensaiando uma cooperação que vai além das afinidades pessoais.

Por Damatta Lucas – Imagem gerada por IA Chat GPT

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