A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal abriu uma nova frente de tensão em Brasília. Embora seu currículo técnico seja amplamente reconhecido e não haja, entre governo e oposição, dúvidas significativas sobre sua capacidade jurídica, a sabatina e votação no Senado se transformaram em palco de disputa política — especialmente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Aposta no racha da direita
Lula tem apostado em dissidências dentro da direita para garantir a aprovação de Messias. Segundo relatos internos, o presidente foi informado por ministros do STF e por aliados no Senado de que o advogado-geral da União recebeu sinais de apoio de setores conservadores.
Uma movimentação silenciosa do ministro André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, também poderia render votos decisivos de parlamentares do PL e do Republicanos. A articulação não elimina resistências, mas abre brechas para um cenário positivo ao governo.
Messias conversa, recua, mas segue articulando
Um almoço marcado entre o indicado e a bancada de oposição foi cancelado após repercussão negativa, mas Messias mantém encontros individuais com senadores de direita ao longo da semana, numa estratégia discreta, porém decisiva.
Pelos cálculos do Planalto, mesmo com votos contrários do União Brasil e do PSD, Messias teria hoje uma vantagem apertada, mas suficiente para aprovação em plenário.
O fator Alcolumbre: poder, irritação e interesses próprios
É nesse ponto que a divergência entre Lula e Davi Alcolumbre ganha protagonismo.
Nos bastidores, interlocutores relatam que o presidente do Senado estaria irritado com Lula não por questões técnicas ligadas a Messias, mas por disputas políticas internas:
- cargos que não foram entregues;
- composição de ministérios e órgãos federais que não lhe agradou;
- perda de influência em áreas estratégicas.
A leitura dentro do governo é de que Alcolumbre estaria usando a indicação ao STF como instrumento de pressão, tentando impor sua força sobre o Planalto. Lula, por outro lado, evita ceder a eventuais chantagens e quer aguardar um cenário mais favorável antes de se reunir com o senador.
O risco, para o governo, é que Alcolumbre opere nos bastidores para sabotar a votação, influenciando indecisos e mobilizando bancadas de centro. Se assim o fizer, estaria colocando interesses pessoais e políticos acima da avaliação técnica do indicado — algo que o Planalto considera injustificável.
Lula quer criar “ambiente de vitória”
A estratégia do presidente é simples: criar a percepção de que Messias já está eleito.
Em votações secretas, explica o governo, é comum que senadores mudem de lado diante de um cenário de vitória consolidada, para não se indispor com um futuro ministro do STF.
Lula, então, tem incentivado bancadas aliadas a declarar apoio publicamente. Quanto maior o clima de vitória, maiores as chances de traições na oposição.
Cenário provável e impacto político
A expectativa no governo é alcançar 52 votos, o mesmo placar obtido por Edson Fachin em 2015, também sob forte resistência.
Mas o embate Lula x Alcolumbre pode ter efeitos imediatos e futuros:
- Se Messias for aprovado, Lula sai fortalecido, enfraquece o poder de chantagem de Alcolumbre e mostra capacidade de articulação com setores da direita.
- Se Messias cair, o recado é de fragilidade do Planalto e aumento da força de Alcolumbre como “porteiro” das indicações ao Judiciário.
Por ora, a disputa segue aberta — e, mais do que avaliar o nome de Jorge Messias, o Senado parece discutir quem manda mais em Brasília.
Por Damatta Lucas – Imagem Gerada por IA Chat GPT


