Mais um feminicídio brutal em Teresina

O assassinato cruel de Giselle Maria Pinheiro Pereira, em pleno apartamento onde vivia, não é apenas mais um número nas estatísticas de feminicídio — é o retrato de que ainda há falha na proteção das mulheres. Giselle foi morta com, no mínimo, 23 golpes de canivete por seu ex-companheiro, Pedro Rocha Pereira e Farias. O crime ocorreu em abril deste ano no bairro Tancredo Neves, zona Sul de Teresina, e agora o Ministério Público do Piauí apresentou denúncia formal contra o acusado, enquadrando-o por feminicídio qualificado.

A cena do crime é chocante: golpes concentrados nas regiões torácica e cervical da vítima, em um ataque covarde, repentino e absolutamente desproporcional. O Ministério Público foi direto: “a vítima não teve qualquer chance de defesa”. A execução foi tão violenta que o órgão classifica a ação como premeditada, revelando que o agressor voltou ao apartamento armado, após passar horas “refletindo” sobre fotos e mensagens encontradas no celular de Giselle.

Não foi um surto. Foi um plano.

A Promotoria (14ª PJ do Júri) aponta com clareza: havia dolo, havia intenção de matar, e havia frieza. A brutalidade do crime, a multiplicidade dos ferimentos e a covardia da ação mostram que Pedro Rocha é uma ameaça concreta à sociedade e, em especial, às mulheres.

Além da denúncia criminal, o MP requereu que o réu seja submetido a júri popular e que pague uma indenização de R$ 100 mil à família da vítima — valor irrisório frente ao trauma e à dor causados, mas simbólico como reparação mínima.

A pergunta que não cala: por que o feminicídio continua avançando?

Mesmo com leis mais duras, como a tipificação do feminicídio no Código Penal e a Lei Maria da Penha, o Brasil — e o Piauí em especial — segue assistindo a uma escalada de crimes brutais contra mulheres.

Falta prevenção. Falta monitoramento efetivo dos agressores. Falta acolhimento. Falta fiscalização de medidas protetivas. Falta, sobretudo, mais vontade política de enfrentar a cultura da violência de gênero com a urgência que ela exige.

Quantas Giselles ainda precisarão morrer? Quantos assassinos precisarão ser julgados — e quantas famílias destruídas — até que se compreenda que não se trata de casos isolados, mas de um sintoma estrutural de misoginia e impunidade?

O caso agora será analisado pela Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Teresina. Mas não basta apenas julgamento. É preciso resposta institucional firme e coordenada, com trabalho de inteligência mais apurado, mais campanha de incentivo a denúncias, porque, muitas vezes, a vítima se cala diante das ameaças, também dificultando ações de proteção e prevenção.

Imagem: Reprodução

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