Por Damata Lucas, para Clique PI
A escalada da violência contra mulheres no Brasil fez mais uma vítima: Rosa Maria da Conceição Lima Neta, de apenas 24 anos. Natural de Buriti dos Lopes, no interior do Piauí, a jovem foi brutalmente assassinada na madrugada desta sexta-feira (21), no bairro Anjo da Guarda, em São Luís, capital do Maranhão. O caso é investigado como feminicídio — crime que se repete com frequência alarmante na região Nordeste.
Rosa Maria foi atacada a golpes de faca dentro da própria residência. Segundo informações da Polícia Civil do Maranhão, o principal suspeito do crime é o ex-companheiro da vítima, que está foragido. Ele teria invadido a casa onde a jovem morava com seu atual parceiro e cometido o ataque de forma violenta. O atual companheiro de Rosa presenciou a cena, mas não ficou ferido.
A jovem havia se mudado para a capital maranhense em busca de melhores oportunidades de vida, sonho interrompido de forma cruel. A notícia abalou a cidade natal da vítima, onde familiares e amigos aguardam com dor e indignação por justiça.
Nordeste acumula estatísticas alarmantes
O caso de Rosa Maria não é isolado. Maranhão e Piauí, assim como outros estados do Nordeste, enfrentam um cenário crítico de violência de gênero. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.463 feminicídios em 2023 — média de 4 mulheres assassinadas por dia. A maioria das vítimas é jovem, negra e morta dentro de casa, por parceiros ou ex-parceiros.
O Maranhão aparece entre os estados com maior taxa de feminicídios proporcionalmente à população feminina. Já o Piauí, apesar de registrar índices menores, também apresenta crescimento nos números de agressões e assassinatos motivados por gênero. A impunidade, o machismo estrutural e a negligência nas políticas públicas agravam o problema.
Um crime anunciado
Em muitos casos, como o de Rosa, o feminicídio não ocorre de forma inesperada. Históricos de violência doméstica, ameaças e perseguições são ignorados ou subnotificados. Rosa teve seu lar invadido pelo próprio agressor — um reflexo do quanto o sistema ainda falha em proteger mulheres ameaçadas.
A dor de quem fica
Em Buriti dos Lopes, a população lamenta a perda precoce e se une em luto e protesto. Amigos de Rosa destacam sua alegria, força de vontade e o desejo de recomeçar a vida. “Ela foi para São Luís com esperança de um futuro melhor, e teve tudo tirado de forma covarde”, relatou uma amiga da família.
Feminicídio é crime, não fatalidade
É preciso reforçar que feminicídio não é tragédia, nem fatalidade — é crime. Um crime que carrega raízes profundas no machismo e na cultura de dominação masculina. Um crime que exige resposta imediata e contundente das autoridades e da sociedade. Cada mulher morta é uma denúncia da omissão do Estado e do fracasso em garantir o básico: o direito à vida.
A Polícia segue em busca do assassino de Rosa Maria. A população pode colaborar com informações anônimas pelo Disque-Denúncia (181).
Enquanto o Brasil não encarar o feminicídio como prioridade nacional, histórias como a de Rosa continuarão se repetindo — em São Luís, em Teresina, em qualquer canto do país.
Imagem: Reprodução


