Na madrugada do último sábado (02/08), o centro de Teresina foi palco de um crime que chocou a sociedade piauiense: Ana Karine Assunção Pereira, 35 anos, foi brutalmente assassinada com um golpe de faca na nuca, em frente ao filho de 11 anos, após uma discussão por uma dívida de R$ 30 em uma hamburgueria localizada na Avenida Miguel Rosa. O principal suspeito, Wesley Nascimento, ainda não se apresentou à polícia, enquanto sua defesa alega “descontrole coletivo” e ausência de intenção homicida – argumentos veementemente rebatidos pela família da vítima e pelo Ministério Público.
Dinâmica do Crime
De acordo com relatos colhidos pela Polícia Civil, o homicídio ocorreu por volta das 2h, quando uma discussão envolvendo o pagamento de uma conta de aproximadamente R$ 30 escalou para um confronto físico. Testemunhas afirmam que Wesley Nascimento desferiu o golpe fatal contra Ana Karine, que estava acompanhada de familiares, incluindo seu filho. A vítima, ainda consciente, chegou a gritar “Ele me matou!” antes de sucumbir ao ferimento. O suspeito fugiu do local em uma motocicleta, mas sua identidade foi rapidamente identificada por meio de depoimentos e imagens de câmeras de segurança.
Posicionamento da defesa do acusado
Em nota divulgada à imprensa, a defesa de Wesley Nascimento afirmou que:
- Não há mandado de prisão expedido contra o investigado;
- O acusado não se apresentou por temer represálias devido a ameaças recebidas nas redes sociais;
- O episódio teria sido uma “fatalidade decorrente de descontrole mútuo”, sem premeditação.
Os advogados ainda destacaram que o suspeito possui residência fixa, emprego formal e nenhum antecedente criminal, argumentando que isso descaracterizaria qualquer risco de fuga.
Contestação da família e do Ministério Público
A advogada Gabriella Mourão, representante da família de Ana Karine, classificou as alegações da defesa como “afronta à verdade dos fatos”. Em nota oficial, destacou:
- O crime foi intencional e covarde, executado com um golpe fatal em uma região vital;
- A vítima estava desarmada e em situação de vulnerabilidade, diante de seu filho;
- A tese de “descontrole coletivo” busca banalizar um feminicídio, crime previsto no art. 121, § 2º, VI, do Código Penal.
A delegada Nathalia Figueiredo, titular do Núcleo de Feminicídios do DHPP, reforçou que a oitiva do suspeito é essencial para elucidação dos fatos e que a recusa em depor pode ser interpretada como obstrução da Justiça.
Repercussão e andamento do caso
O caso gerou comoção pública, com protestos nas redes sociais e cobrança por medidas efetivas contra a violência de gênero. A Polícia Civil aguarda a apresentação espontânea de Wesley ou a expedição de um mandado de prisão preventiva, com base nos indícios de autoria e materialidade já coletados.
Trata-se de um crime hediondo, cuja brutalidade exige apuração rigorosa. A sociedade piauiense acompanha atenta as investigações, exigindo que a Justiça seja feita – não apenas para punir o culpado, mas para enviar uma mensagem clara: a violência contra a mulher não será tolerada.
“Ana Karine não será mais uma estatística. Seu caso é um chamado para combatermos, com leis e ações firmes, a cultura da impunidade em crimes de gênero.” — Gabriella Mourão, advogada da família.
Da Redação – Imagem: Reprodução


