Mídia, factoides e o velho roteiro dos golpes contra a democracia brasileira se repetem neste fim de 2025 em véspera de ano eleitoral

A democracia brasileira não está sob ataque episódico. Ela é corroída de forma sistemática por um poder que nunca passou pelo voto, nunca prestou contas à sociedade e nunca aceitou governos que escapem ao seu controle histórico: a grande mídia tradicional brasileira. Um consórcio de famílias, interesses financeiros e alinhamentos internacionais que opera como partido político clandestino, com acesso irrestrito à opinião pública e nenhuma responsabilidade institucional.

Na véspera do Natal, a mais de oito meses do início formal da disputa presidencial de 2026, esse aparelho voltou a funcionar. O roteiro é conhecido, reciclado e criminosamente eficaz: insinuação sem prova, fonte invisível, manchete ruidosa, editorial moralista e silêncio absoluto diante dos desmentidos oficiais. O objetivo nunca foi informar. Sempre foi desestabilizar.

O alvo da vez é o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes — não por acaso o magistrado que enfrentou, com respaldo constitucional, o projeto golpista que tentou sequestrar o Estado brasileiro em 2023. Atacá-lo não é coincidência. É estratégia.

Não é jornalismo. É operação política

A reportagem publicada por Malu Gaspar, no O Globo, não se sustenta em documentos, provas, gravações ou fontes identificáveis. Baseia-se no mais rasteiro “ouvir dizer”, na fofoca de bastidores da Faria Lima, elevada artificialmente à condição de denúncia grave. Ainda assim, a Folha de S.Paulo decidiu amplificar o factoide, estampando-o em capa, como se estivesse diante de um escândalo de Estado.

O detalhe — nada irrelevante — é que as informações já haviam sido oficialmente desmentidas. Alexandre de Moraes divulgou nota clara, com datas, horários e temas tratados nas reuniões com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O próprio Banco Central confirmou: as conversas trataram exclusivamente dos efeitos da Lei Magnitsky, sanção articulada por aliados do bolsonarismo no exterior contra o ministro e sua família.

Não houve pressão.
Não houve tratativa sobre o Banco Master.
Não houve interferência institucional.

Houve, isso sim, má-fé deliberada.

A corrupção seletiva como arma política

Na mesma capa em que ataca Moraes, a Folha publica editorial requentando a velha ladainha moralista: “a corrupção voltou”, “poderosos se protegem”, “o Estado apodrece”. É o mesmo discurso usado para justificar golpes ao longo da história brasileira. Um discurso seletivo, cínico e funcional ao autoritarismo.

O jornal escolhe cuidadosamente o que mostrar e, sobretudo, o que esconder. Silencia sobre operações da Polícia Federal que alcançam banqueiros, lobistas, dirigentes do Centrão e facções criminosas que lavam dinheiro no coração do sistema financeiro. Omite que os grandes esquemas de saque ao INSS nasceram do golpe contra Dilma Rousseff e se aprofundaram sob Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Quando a corrupção envolve pobres, servidores ou governos progressistas, vira manchete.
Quando envolve banqueiros, mercado financeiro e aliados históricos da mídia, vira invisível.

Isso não é falha editorial. É projeto.

O verdadeiro objetivo: anistiar golpistas e reordenar o poder

O ataque a Alexandre de Moraes não é um fim em si mesmo. É um meio. Serve para desgastar o Supremo, preparar o terreno para pedidos de impeachment de ministros, relativizar crimes contra a democracia e normalizar a anistia aos golpistas de 8 de janeiro.

A imprensa tradicional atua para reescrever a história em tempo real: transformar golpistas em “excessos”, criminosos em “perseguidos” e magistrados em “ameaças”. O objetivo final é conhecido: limpar o caminho para uma recomposição conservadora do poder, com verniz democrático e essência autoritária.

Foi assim em 1964.
Foi assim no impeachment fraudulento de 2016.
Foi assim na blindagem da Lava Jato.

Sempre com capas, editoriais e colunas “preocupadas com o Brasil”.

Ou democracia, ou imprensa golpista

Não existe mais espaço para ingenuidade. A neutralidade dessa mídia é uma farsa. Ela escolheu lado, e não foi o da Constituição, nem o da soberania popular.

Defender Alexandre de Moraes neste contexto não é defender um homem. É defender a democracia contra uma imprensa que flerta abertamente com o autoritarismo, que naturaliza golpes e que trabalha, mais uma vez, para retirar do povo brasileiro o direito de decidir seu próprio destino.

A história já mostrou onde esse caminho leva.
Desta vez, não haverá desculpa para dizer que foi surpresa.

Por Damatta Lucas – Imagem Gerada por ChatGPT

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