Nikolas Ferreira e o teatro das fake news: quando o populismo serve aos super-ricos

Por Damatta Lucas

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), mais uma vez, recorre a um discurso inflamado, confuso e repleto de desinformação para defender o indefensável: os super-ricos. Em um vídeo publicado no X nesta terça-feira, 8, Nikolas tenta transformar uma medida de justiça fiscal — a taxação dos mais ricos — em uma espécie de apocalipse econômico. Seu argumento? Que os bilionários iriam embora do Brasil, levando empresas, empregos e “cérebros pensantes”. Tudo isso embalado em ataques ao governo Lula, ao PT, à esquerda, à Janja, às bolsas de grife e até a viagens oficiais.

Mas vamos aos fatos.

1. Justiça fiscal não é comunismo — é democracia

A proposta de taxar os super-ricos, que circula em diversos países do mundo, inclusive nos Estados Unidos e na Europa, não é uma invenção do “esquerdismo tropical”. É uma medida de equilíbrio social. No Brasil, 0,01% da população concentra uma fatia absurda da riqueza, pagando proporcionalmente menos impostos do que um trabalhador assalariado. Isso não é liberdade. É privilégio.

Nikolas, convenientemente, omite que as novas medidas discutidas pelo governo visam justamente tornar o sistema tributário mais progressivo — ou seja, quem ganha mais, paga mais. Parece óbvio. Mas para quem defende que o pobre continue sustentando o país com impostos regressivos, como o ICMS sobre alimentos e combustíveis, isso é um escândalo.

2. O medo da “fuga dos ricos” é chantagem barata

O deputado propaga a ideia de que, se taxados, os bilionários “vão embora”. Mas isso é mais uma falácia vendida como fato. Ricos do mundo todo investem onde há estabilidade, infraestrutura, segurança jurídica e mercado consumidor. Países como Noruega, Suécia, Canadá e Alemanha taxam fortemente os mais ricos — e nem por isso perderam seus milionários. A diferença é que lá há serviços públicos decentes. Aqui, Nikolas quer que o pobre pague a conta do helicóptero, da escola particular e da blindagem do iate dos super-ricos.

3. Nikolas, o “fiscal” do guarda-roupa da Janja, mas cúmplice do orçamento secreto

A fixação de Nikolas com bolsas de grife e viagens presidenciais é sintomática. Ele tenta transformar assuntos secundários em escândalos para esconder o essencial: foi eleito defendendo um governo (Bolsonaro) que enterrou R$ 54 bilhões em orçamento secreto, que promoveu um genocídio na pandemia, que superfaturou vacinas, que sucateou a educação e a ciência, que ameaçou a democracia. Nenhuma palavra sobre isso.

4. Falsidades e distorções são a base de sua narrativa

Nikolas fala em “fuga de cérebros” e “quebra de empresas”, mas ignora que os grandes bancos lucraram como nunca em 2023 e 2024, justamente durante o governo Lula, o mesmo que ele acusa de “causar medo no mercado”. Os dados do Banco Central estão aí para provar. Fala da “explosão” dos combustíveis, mas omite que o preço da gasolina caiu em 2024 após a reestruturação da política da Petrobras. Critica a taxação da “blusinha da Shein”, mas mente sobre como votou, tentando se esquivar de sua responsabilidade parlamentar.

5. A retórica do “nós contra eles” é o que ele mais usa

Curioso que Nikolas critique a “retórica da divisão” enquanto passa 24 horas por dia dividindo o país entre “bons cristãos e esquerdistas do mal”, entre “ricos produtivos” e “pobres folgados”, entre “verdadeiros brasileiros” e “inimigos da pátria”. Ele é o mestre da guerra cultural. Seu objetivo não é propor soluções, é inflamar ressentimentos e viralizar nas redes.

6. A hipocrisia do “anticorrupção”

Nikolas fala em corrupção como se nunca tivesse ouvido falar de rachadinhas, pastores do MEC, barras de ouro com Bolsonaro, joias da Arábia Saudita e um governo que tentou dar golpe. Ao contrário do que ele diz, os bilhões devolvidos pela Lava Jato são resultado do trabalho das instituições, inclusive durante governos petistas. Mas ele finge que tudo isso foi inventado — uma tentativa cínica de apagar a história.


Conclusão: Nikolas não quer um país mais justo. Quer palco.

Ao tentar impedir que os super-ricos contribuam com o mínimo necessário, Nikolas revela de que lado está: do lado de quem sempre teve tudo e nunca devolveu nada. Seu discurso não é sobre justiça. É sobre manter privilégios. Ele representa uma política que não quer reformar o Brasil — quer manipular a ignorância, explorar o medo e transformar a mentira em arma política.

Taxar os super-ricos não é “inveja”, como ele insinua. É responsabilidade. E se ele realmente se importasse com o pobre, estaria lutando por mais saúde pública, educação de qualidade e segurança alimentar — não defendendo empresários bilionários e espalhando fake news em nome de uma cruzada ideológica que só interessa aos mesmos de sempre.

Imagem: ChatGPT

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