O amor tóxico da extrema direita brasileira por Donald Trump: Um caso que precisa ser estudado

Por Damatta Lucas

Há algo de profundamente doentio — e perigoso — no fascínio que a extrema direita brasileira nutre por Donald Trump. Mais do que uma admiração ideológica ou alinhamento estratégico, trata-se de uma obsessão política que beira a subserviência colonial. Um culto cego ao autoritarismo estrangeiro que ameaça, em sua essência, o princípio mais básico de qualquer nação: a soberania.

Não é de hoje que o bolsonarismo tenta moldar o Brasil à imagem e semelhança do trumpismo. Da retórica agressiva ao desprezo pelas instituições democráticas, da disseminação de fake news à demonização da imprensa livre, cada passo segue um roteiro importado dos Estados Unidos. Mas a imitação ultrapassou o limite do patético para se tornar perigosa. Quando parlamentares brasileiros passam a defender, sem pudor, a intervenção militar de um país estrangeiro em solo nacional, o que está em jogo já não é mais um projeto político — é a própria independência do Brasil.

A idolatria a Trump atingiu tal ponto que medidas prejudiciais ao Brasil são aplaudidas como se fossem vitórias. Super taxações impostas a produtos brasileiros? Celebradas. Críticas ao sistema eleitoral brasileiro por parte de figuras trumpistas? Aplaudidas. Ataques a ministros do Supremo e sanções a autoridades nacionais por parte de Washington? Incentivadas por políticos brasileiros — caso emblemático do deputado Eduardo Bolsonaro, que atua no exterior para pressionar o governo dos Estados Unidos a sancionar membros dos poderes constituídos do Brasil. Uma conduta que, em qualquer país minimamente sério, seria considerada traição aos interesses nacionais.

Mas talvez o exemplo mais escandaloso dessa servidão ideológica esteja no projeto em tramitação na Câmara dos Deputados que pretende enquadrar o crime organizado como terrorismo. O argumento pode parecer razoável à primeira vista, mas o objetivo oculto é outro, conforme afirmam especialistas em política internacional: abrir brechas legais para uma eventual intervenção dos Estados Unidos em território brasileiro, sob o pretexto de combate ao terrorismo — exatamente o mesmo expediente utilizado por Washington para intervir em países como a Venezuela. Uma manobra disfarçada de política de segurança que esconde o velho desejo colonial: entregar as chaves da soberania nacional a uma potência estrangeira.

O que explica essa paixão doentia? Parte da resposta está na estratégia global da extrema direita contemporânea. O trumpismo não é apenas um movimento político; é uma doutrina autoritária transnacional, construída sobre o ressentimento, o nacionalismo de fachada, a guerra cultural e o desprezo pela democracia liberal. No Brasil, o bolsonarismo bebeu dessa fonte — e agora age como sucursal tropical dessa agenda, sem qualquer senso crítico ou autonomia intelectual. Não há projeto de país, apenas a tentativa de replicar a cartilha norte-americana a qualquer custo.

Outro fator é o complexo de vira-lata que há muito contamina setores conservadores do Brasil. Em vez de projetar o país no cenário internacional como protagonista, preferem ajoelhar-se diante de uma potência estrangeira e agir como satélites obedientes. A extrema direita brasileira não enxerga os Estados Unidos como parceiros — mas como tutores. E, pior, está disposta a entregar o que for necessário para permanecer sob essa tutela.

O resultado é um cenário grotesco: políticos eleitos para defender os interesses do Brasil se comportando como representantes de interesses estrangeiros; figuras públicas comemorando decisões que prejudicam a economia nacional; e uma parcela da população sendo manipulada para acreditar que a submissão é sinônimo de patriotismo. É o avesso da independência.

O Brasil precisa discutir com urgência essa relação de dependência política e ideológica. Não se trata apenas de divergência partidária — trata-se da defesa do país contra um projeto que o coloca de joelhos diante de outra nação. A democracia brasileira, já abalada por ataques internos, não pode tolerar o avanço de uma elite política que vê na obediência a Trump um caminho legítimo para o poder.

A idolatria a Donald Trump não é apenas um delírio da extrema direita — é um risco concreto à soberania, à independência e ao futuro do Brasil. E enquanto o bolsonarismo continuar a agir como um capítulo tropical do trumpismo global, a tarefa de quem defende a democracia será lembrar, todos os dias, que o Brasil tem dono, sim. E pertence ao povo brasileiro.

Imagem gerada por IA Chat GPT

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