O cinismo político de Tarcísio de Freitas

Por Antonio Luiz Moreira

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mostrou mais uma vez o cinismo que marca sua trajetória política. Em entrevista ao Diário do Grande ABC, declarou que, se fosse presidente, seu primeiro ato seria conceder indulto a Jair Bolsonaro, ex-presidente investigado e julgado por liderar uma tentativa de ruptura do Estado Democrático de Direito.

Não se trata apenas de uma promessa vazia. É uma clara declaração de lealdade a quem o lançou na política, reforçando que, como disse o presidente Lula em entrevista à rádio Itatiaia, “Tarcísio não é nada sem Bolsonaro”. O gesto expõe sua submissão à extrema direita, mesmo enquanto tenta posar de candidato viável para o mercado financeiro e setores empresariais que sonham com uma alternativa conservadora palatável em 2026.

O cinismo se agrava quando o governador afirma que não confia na Justiça e que não vê elementos para condenar Bolsonaro, apesar das provas robustas de que o ex-presidente incentivou, instigou e organizou atos golpistas que culminaram na invasão da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Ao defender uma anistia ampla para criminosos que atentaram contra a democracia, Tarcísio coloca-se contra a história, repetindo a lógica da impunidade que marcou a transição da ditadura militar e que até hoje corrói a democracia brasileira.

Ele tenta jogar com dois públicos:

  • Para o grande mercado, vende a imagem de gestor técnico, ex-ministro da Infraestrutura, político “capaz de dialogar”.
  • Para a extrema direita, assume a defesa incondicional de Bolsonaro, sua absolvição e a negação dos crimes cometidos contra a ordem democrática.

Mas sua fala o entrega: Tarcísio diz não ser candidato, mas se inquieta diante do vácuo de liderança deixado por Bolsonaro, inelegível, e busca ser ungido como sucessor pelo bolsonarismo. É o velho jogo da ambiguidade política, onde se alimenta a narrativa de inocência de um ex-presidente golpista, ao mesmo tempo em que se pavimenta uma possível candidatura.

A questão é simples: quem defende anistia para quem tentou destruir a democracia, quem promete indulto imediato a um líder que atentou contra o país, está assumindo lado — e não é o lado do Brasil, nem da democracia. É o lado da impunidade, do autoritarismo e da conveniência política.

Imagem: Reprodução Allan dos Santos

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