O Congresso contra o Brasil: a derrubada dos vetos ambientais como o maior ataque ao povo em 40 anos

Em um dos atos mais graves de afronta ao interesse nacional desde a redemocratização, o Congresso Nacional decidiu, na tarde desta quinta-feira (27), virar as costas para o país, para a ciência e para a população brasileira ao derrubar 56 dos 63 vetos presidenciais à nova Lei do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025). A decisão, tomada apesar da ampla mobilização de especialistas, organizações civis e da própria opinião pública, reabre as portas para um cenário de devastação ambiental sem precedentes — e para um prejuízo econômico que pode colocar o Brasil de joelhos no comércio internacional.

A votação marcou a consolidação de um congresso que age deliberadamente contra o país apenas para “derrotar o governo”, mesmo que o preço seja pago pelo próprio povo brasileiro. Não por acaso, cresce entre analistas a avaliação de que estamos diante do pior Congresso Nacional da história, composto por parlamentares que tratam o meio ambiente como moeda de troca, e a população, como obstáculo.


O maior retrocesso ambiental em mais de 40 anos

O pacote de vetos, essencial para preservar trechos mínimos de segurança socioambiental, havia sido imposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o Congresso aprovar, em julho, o texto apelidado de “PL da Devastação” — ou, como ambientalistas dizem, “a mãe de todas as boiadas”. Mesmo assim, a base do agronegócio, com forte atuação do Centrão e dos ruralistas, decidiu ir adiante com sua cruzada antiambiental.

Com a derrubada dos vetos, o licenciamento ambiental como o conhecemos deixa de existir. Procedimentos de análise técnica prévia, fundamentais para evitar tragédias como Mariana, Brumadinho e Maceió, tornam-se exceção. Passam a prevalecer a autodeclaração, a boa-fé empresarial e a liberação automática de empreendimentos.

Entre os retrocessos resgatados:

  • Liberação de desmatamento na Mata Atlântica sem análise prévia.
  • Autolicenciamento para empreendimentos até de médio impacto, via um simples formulário online.
  • Dispensa total de licenciamento para 13 atividades econômicas, incluindo agricultura e pecuária.
  • Ignorar impactos sobre Terras Indígenas e territórios quilombolas ainda não regularizados.
  • Poder ilimitado para estados e municípios flexibilizarem regras.

Na prática, o país reinaugura a lógica dos anos 1970, quando desenvolvimento significava destruir.


Impacto econômico: o Brasil cavando sua própria cova no comércio internacional

O Congresso não destruiu apenas a proteção ambiental. Destruiu também a confiança global no Brasil.

Hoje, os maiores mercados compradores do agronegócio brasileiro — União Europeia, Reino Unido, China e até segmentos dos EUA — possuem regras rígidas contra a importação de produtos oriundos de áreas desmatadas ou de países que não respeitam critérios ambientais.

Ao desmontar o licenciamento, o Congresso arma uma bomba-relógio econômica:

  • Exportadores podem ser boicotados.
  • Grandes compradores podem rever contratos.
  • Fundos internacionais podem retirar investimentos.
  • A imagem do Brasil pós-COP30 vira pó.

A ministra Gleisi Hoffmann foi direta:

“A derrubada dos vetos contradiz o esforço ambiental e climático do governo que acaba de realizar a COP30. Uma péssima notícia.”

É mais do que péssima: é devastadora.

A ironia é que boa parte dos articuladores desse retrocesso vêm justamente do setor agroexportador — ou seja, parlamentares jogando contra o próprio mercado que dizem defender.


Especialistas: “foi enterrado o licenciamento ambiental no Brasil”

A gravidade do retrocesso mobilizou organizações da sociedade civil e especialistas de renome.

Suely Araújo, do Observatório do Clima, classificou a decisão como:

“O Congresso acabou de enterrar o licenciamento ambiental.”

Alice Dandara, do Instituto Socioambiental, foi além:

“Hoje, o Congresso concretizou a institucionalização do racismo ambiental e ampliou os conflitos em territórios indígenas e tradicionais.”

Ambas confirmam que o tema deverá ser judicializado, já que vários dispositivos da lei são abertamente inconstitucionais.


O papel de Alcolumbre: interesse político acima do país

A sessão que reverteu os vetos foi conduzida diretamente pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Coincidentemente — ou não — a semana também foi marcada por sua irritação com o presidente Lula pela indicação de Jorge Messias ao STF, contrariando sua preferência pessoal.

Alcolumbre atua, portanto, em duas frentes:

  1. Impõe uma derrota ao governo por birra política.
  2. Aproveita para facilitar interesses regionais, como a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, tema que ele defende como prioridade.

Quando um dos homens mais poderosos da República age movido por vingança ou interesse privado, o país inteiro perde.


O Congresso está de costas para o Brasil — e o preço será pago pelo povo

O resultado consolidou a percepção de que o Congresso brasileiro age hoje como inimigo do meio ambiente, das populações tradicionais, da economia brasileira e do próprio futuro do país. Uma pauta feita sob medida para atender lobbies, disputar espaço político e humilhar o governo federal.

Não há exagero em afirmar que esta é uma das decisões mais graves e irresponsáveis já tomadas pelo Legislativo.

A pergunta que ecoa é simples e dolorosa:

Como um Congresso eleito para defender o Brasil pode agir de forma tão deliberada para destruí-lo?

Seja por chantagem política, interesses privados, subserviência ao agronegócio predatório ou pura disputa de poder, o fato é que o Brasil inteiro acaba de perder — e os efeitos desse retrocesso serão sentidos por décadas.

Por Damatta Lucas – Imagem Gerada por IA ChatGPT

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