Por mais que tentem disfarçar com discursos técnicos e jargões institucionais, o que está em curso no Brasil é um processo brutal de sabotagem política disfarçado de “responsabilidade fiscal”. Um Congresso Nacional cada vez mais refém de interesses corporativos, fisiológicos e do capital, transformou-se numa trincheira de resistência contra qualquer avanço social promovido pelo governo federal. E o alvo principal é claro: os mais pobres, que pagam a conta da crise e ainda são acusados de peso para o Estado.
É uma estratégia sórdida, orquestrada por um Legislativo que se comporta como um poder paralelo, quase ditatorial. O governo Lula tenta implementar uma política de justiça fiscal, de redistribuição de renda e de reconstrução do Estado Social – mas é barrado a cada movimento. A ordem da vez é asfixiar o Executivo, impedir investimentos em áreas estratégicas como saúde, educação, habitação e assistência social. Em resumo: desmontar os pilares que sustentam a maioria da população brasileira.
A chantagem é explícita. O Congresso exige cortes no Bolsa Família, no Farmácia Popular, no Minha Casa Minha Vida, no Mais Médicos e na educação pública, como se esses programas fossem os vilões das contas públicas – e não os escandalosos R$ 53,4 mil de auxílio paletó, os R$ 22 mil de auxílio moradia ou os mais de R$ 90 mil em verba de gabinete embolsados mensalmente por cada deputado federal. O parlamentar Hugo Motta, por exemplo, lidera a resistência à taxação dos super-ricos e à manutenção do IOF, mas silencia sobre os R$ 341 mil mensais que ele e seus pares custam ao povo brasileiro.
Enquanto isso, o Brasil dos invisíveis – das mães solo, dos trabalhadores informais, dos aposentados esquecidos, dos jovens sem acesso à universidade – é jogado à própria sorte, como se fossem um fardo, e não a razão de existir do próprio Estado.
A retórica da “responsabilidade fiscal” é seletiva e hipócrita. Serve apenas para justificar o corte nos programas que salvam vidas e garantem dignidade, ao passo que blindam as fortunas dos bilionários, as emendas de parlamentares, os fundos partidários e as verbas de campanha. Os super-ricos, os bancos e os sites de apostas continuam impunes no paraíso fiscal à brasileira.
Lula tenta virar esse jogo com o novo Imposto de Renda progressivo, que aumenta a contribuição dos que mais ganham. Mas o Congresso reage como se isso fosse uma afronta à ordem natural das coisas. Não aceitam que o presidente governe. Querem um Executivo de joelhos, submetido a interesses parlamentares e do mercado financeiro. A direita brasileira, com seus mercenários de terno e gravata, prefere sacrificar os pobres do que ceder um centavo de seus privilégios.
Essa postura autoritária e insensível vem sendo desmascarada não só nas redes sociais, mas também nas ruas. Cresce um movimento espontâneo e virtual por cortes nos salários de senadores, deputados e magistrados, pelo fim de auxílios e regalias, e pela redução do número de parlamentares no país. Por que o trabalhador comum vive com R$ 1.518,00 por mês enquanto um deputado fatura mais de R$ 300 mil com dinheiro público?
Se o problema do Brasil fosse mesmo o gasto social, não haveria tanto dinheiro sobrando para privilégios políticos. A verdade é que o Legislativo brasileiro virou uma máquina de sugar o Estado e trava qualquer mudança real. E quando o governo ameaça recorrer ao STF, como no caso do IOF, os mesmos que derrubam medidas do Executivo ainda têm a audácia de ameaçar o Executivo com retaliações e “guerra”, como se essa iniciativa governamental não fosse uma prerrogativa do presidente da República. Eles querem o governo de joelhos.
É hora de dar nome aos bois. O Congresso brasileiro hoje atua como um inimigo declarado do povo. Transformou-se em bunker dos interesses das elites e do conservadorismo mais cruel. Age para inviabilizar o governo, desgastar Lula e preparar o terreno para 2026, pouco se importando com os milhões de brasileiros que dependem de políticas públicas para sobreviver.
A esquerda começa, timidamente, a reagir. O PSOL já acionou a Justiça contra a derrubada do IOF. O PT intensifica a propaganda para escancarar quem carrega o peso dos impostos neste país. Mas isso ainda é pouco diante da violência institucional que está sendo praticada.
O Brasil precisa despertar. A ditadura que se desenha não é militar, nem de toga – é legislativa. Executada por um Congresso que legisla em causa própria, condena os pobres à miséria e chama isso de democracia. Mas não é. É uma farsa. E toda farsa um dia cai.
Se o povo não reagir agora, não haverá país a ser defendido em 2026. Haverá apenas um palco de privilégios para poucos e um abismo sem fim para muitos.
Por Damata Lucas – Imagem: IA


