Há momentos na vida política de um país em que o silêncio diante da irresponsabilidade não é uma opção. As declarações recentes do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ultrapassam todos os limites do debate democrático e colocam em risco a própria estabilidade institucional do Brasil. Do alto de seu autoexílio político nos Estados Unidos — onde tenta, de forma vergonhosa, estimular sanções contra seu próprio país —, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a flertar abertamente com o golpismo, sugerindo que “não haverá eleição em 2026” caso o Congresso Nacional não ceda à pressão por uma anistia ampla e irrestrita aos criminosos do 8 de janeiro.
Essa postura não é apenas antidemocrática — é um ataque frontal à soberania nacional e à vontade popular. Eduardo, incapaz de lidar com as sucessivas derrotas políticas e judiciais que cercam seu grupo, tem se agarrado a um discurso cada vez mais extremista e desconectado da realidade. Sua frustração ficou ainda mais evidente depois do sinal verde de Donald Trump para um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com foco em temas econômicos — gesto simbólico que isolou ainda mais o bolsonarismo radical do cenário internacional. Desde então, o deputado tem reagido com ataques histéricos e declarações que beiram a chantagem institucional.
Ao condicionar a realização das próximas eleições à aprovação de uma anistia que beneficiaria golpistas — incluindo seu pai —, Eduardo não apenas desrespeita a memória do ataque ao Estado Democrático de Direito ocorrido em 8 de janeiro de 2023, como também debocha da Justiça e da Constituição. Nenhuma democracia digna desse nome pode se curvar ao terrorismo político travestido de discurso parlamentar.
Mais grave ainda é o fato de que suas ameaças não são isoladas: fazem parte de uma estratégia desesperada para reanimar um movimento que perdeu relevância, apoio social e credibilidade. O deputado, que já insinuou disputar a Presidência mesmo sem o aval do pai, tem se tornado um problema para a própria direita, fragmentando a oposição e inviabilizando qualquer projeto político coerente para 2026. Suas declarações têm gerado desconforto até entre aliados históricos e alimentado um clima de divisão interna que enfraquece o próprio campo conservador.
Não se trata aqui de um embate ideológico. Trata-se de um ponto de princípio: a democracia brasileira não pode ser refém de ameaças, chantagens ou bravatas autoritárias de quem despreza as regras do jogo quando não lhe são convenientes. A impunidade dos golpistas do 8 de janeiro significaria um convite aberto à repetição do crime. E qualquer tentativa de anistia total, sob pressão de discursos intimidatórios como o de Eduardo Bolsonaro, seria uma capitulação perigosa.
O Brasil já enfrentou e venceu investidas autoritárias no passado. Fará o mesmo agora, com a força das instituições e a vigilância da sociedade. Não há espaço, em 2025, para aventureiros que confundem impunidade com liberdade e chantagem com democracia. O país seguirá em frente com eleições livres, com Justiça funcionando e com as leis sendo aplicadas — apesar dos gritos e surtos de quem não aceita viver em um Estado democrático de direito.
Por Damatta Lucas – Imagem gerada por IA Chat GPT


