Por que a elite do agronegócio e da alta indústria prefere dobrar os joelhos a defender a soberania nacional?
A reação da bancada do Agronegócio no Congresso Nacional ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras expôs mais uma vez a hipocrisia, o autoritarismo e o servilismo de um dos segmentos mais poderosos e retrógrados da política brasileira. Essa elite ruralista — milionária, elitista e antipovo — lidera hoje a extrema direita institucionalizada do país e continua agindo em nome dos próprios interesses, mesmo quando isso implica se curvar à chantagem de um presidente estrangeiro.
O estopim da crise foi a absurda exigência do presidente norte-americano Donald Trump, que condicionou a suspensão da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros ao engavetamento do processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado. A exigência foi articulada diretamente por Eduardo Bolsonaro, deputado federal licenciado que vive nos Estados Unidos, e por seu pai, numa demonstração explícita de traição nacional.
A bancada do Agro — que historicamente vota contra projetos de justiça tributária e proteção social — agora pede ao governo brasileiro que “deixe a ideologia de lado” e priorize a diplomacia. Mas onde estavam essas vozes moderadas quando o Brasil foi arrastado por esse mesmo setor e por Bolsonaro para o isolamento internacional, negacionismo climático e perseguição a movimentos sociais? Onde estavam quando impediram a aprovação da taxação de grandes fortunas, do fim do paraíso fiscal do IOF, ou da taxação das exportações de commodities?
A diplomacia é, sim, o caminho. Mas não a qualquer custo. Soberania nacional não está à venda. E é de uma desonestidade intelectual sem precedentes exigir “moderação” do governo diante de uma chantagem internacional orquestrada pelo próprio clã que esses empresários tanto defendem.
Não se pode negociar com uma faca no pescoço. O que o Brasil enfrenta agora não é um embate comercial comum, mas um ataque direto à sua soberania, promovido por um ex-presidente investigado por crimes contra a democracia, com apoio de uma potência estrangeira e de setores empresariais que agora se dizem patriotas.
A verdadeira diplomacia exige coragem. E coragem, neste momento, é não ceder à chantagem.
A Bancada do Agro — rica, poderosa e profundamente ideológica — tem o dever de condenar publicamente a postura de Jair Bolsonaro e seu clã. Ao invés disso, prefere pressionar o Executivo a perdoar crimes em troca de tarifas. Em outras palavras, age como cúmplice de um esquema de chantagem internacional que coloca em risco os interesses da população e da indústria nacional.
O Brasil precisa reagir com firmeza. E o Congresso Nacional, que emite uma nota oficial neutra e “covarde” sobre o assunto, se ainda quer ser respeitado como representante do povo, precisa se posicionar ao lado da Constituição, da soberania e da justiça — não de chantagistas.
Não será dobrando os joelhos que o país superará essa crise. Será, como sempre, com diplomacia, sim, mas defendendo com altivez a nossa soberania e nossa independência.
Por Damata Lucas – Imagem: ChatGPT


