Obama e Hillary rompem silêncio e incitam reação contra política tarifária autoritária de Donald Trump

Ex-presidente dos EUA pede fim do “choramingo” e mais coragem dos democratas diante do que chamou de ameaça à democracia e à economia global. Hillary denuncia tarifa contra Brasil como chantagem política em defesa de Bolsonaro.

Por Damatta Lucas

A política tarifária agressiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada por medidas unilaterais e por retaliações a países aliados — como a ameaça de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto — começa a enfrentar uma resistência mais vocal entre líderes democratas. Em declarações duras e contundentes, Barack Obama e Hillary Clinton romperam o silêncio e fizeram um apelo para que o Partido Democrata e os cidadãos norte-americanos se levantem contra a escalada autoritária e econômica do republicano.

Durante um evento fechado de arrecadação de fundos em Nova Jersey, na sexta-feira (11), o ex-presidente Barack Obama abandonou o tom diplomático e lançou críticas frontais à postura de Trump, alertando para os riscos de apatia dentro de seu próprio partido. Em tom provocativo, ele pediu que os democratas “endureçam” diante do que chamou de um momento perigoso para a democracia americana e para o papel dos EUA no mundo.

“Acho que vai exigir um pouco menos de autoconsciência, menos ‘choramingos’ e posições fetais. E vai exigir que os democratas simplesmente endureçam”, disparou Obama, segundo trechos obtidos pela CNN.

O ex-presidente foi além e atacou diretamente a retórica nacionalista e isolacionista de Trump, inclusive no campo comercial:

“Não me diga que você se importa profundamente com a liberdade de expressão e depois fique quieto. Não. Você a defende quando é difícil, quando alguém diz algo de que você não gosta”, afirmou, chamando atenção para os ataques sistemáticos à liberdade de imprensa e à ordem internacional promovidos pela Casa Branca.

Obama também criticou a política tarifária de Trump, que tem sido usada como instrumento de chantagem política, inclusive contra o Brasil, em uma tentativa de defender o aliado Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.

“Não fiquei surpreso com o que Trump fez. Não há mais barreiras dentro do Partido Republicano”, disse Obama, sugerindo que o partido se rendeu completamente ao autoritarismo e à agenda pessoal de seu líder.


Hillary: “Americanos vão pagar mais caro por causa de um corrupto”

A ex-secretária de Estado e ex-candidata presidencial Hillary Clinton também entrou na linha de frente do embate contra Trump. Em uma publicação nas redes sociais, ela criticou abertamente a tarifa de 50% que o presidente ameaça impor ao Brasil, afirmando que a medida visa exclusivamente proteger Jair Bolsonaro da justiça.

“Os americanos vão pagar mais caro na carne bovina apenas porque Trump quer proteger seu amigo corrupto”, escreveu Hillary, ao compartilhar matéria do New York Times que detalha a decisão do republicano de retaliar economicamente o Brasil.

Hillary alertou ainda para a submissão dos congressistas republicanos à agenda do ex-presidente:

“Os republicanos no Congresso decidiram ceder seu poder sobre a política comercial para ele (Trump)”, denunciou.

A democrata relembrou que a diplomacia norte-americana, uma vez referência mundial, se transformou em uma extensão da política pessoal de Donald Trump, que tem usado o cargo para se vingar de adversários e proteger aliados, atropelando princípios básicos da democracia e do comércio internacional.


Tarifa como retaliação política: “Caça às bruxas”

A ofensiva tarifária de Trump vem sendo justificada por ele como reação ao processo contra Bolsonaro. Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump afirmou que as ações do STF contra o ex-presidente brasileiro, incluindo o que chamou de “ordens de censura” às redes sociais, são suficientes para acionar uma represália econômica direta.

A tarifa de 50% contra produtos brasileiros é a mais pesada de uma série de medidas anunciadas pelo republicano nos últimos dias. A Casa Branca, porém, não apresentou evidências técnicas ou comerciais que sustentem a decisão — o que reforça a tese de que se trata de uma ação política travestida de política econômica.


Rumo a um autocracia? Obama adverte

Obama alertou que os Estados Unidos estão perigosamente próximos de se transformar em uma autocracia, caso o Partido Republicano continue a ser cúmplice das ações de Trump. Ele convocou instituições civis, universidades e até escritórios de advocacia a resistirem aos “esforços de intimidação” vindos da atual gestão.

“O que está sendo pedido de nós é que nos esforcemos para defender as coisas que consideramos certas. E que estejamos dispostos a nos sentir desconfortáveis em defesa de nossos valores, do país e do mundo que queremos deixar para nossos filhos e netos.”

“Se fizermos isso, se fizermos nosso trabalho nos próximos meses, poderemos recuperar o ímpeto e redirecionar o país para o caminho que ele merece”, completou o ex-presidente.


Um novo embate ideológico se forma

As declarações de Obama e Hillary, longe de serem apenas discursos de ocasião, sinalizam uma inflexão no comportamento democrata diante de Trump. Deixam claro que a política comercial dos Estados Unidos voltou a ser usada como arma de coerção ideológica e chantagem internacional. E que é hora de o mundo — e os próprios americanos — entenderem que a ameaça de Trump não é apenas interna, mas global.

Imagem: ChatGPT

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