A manhã desta quarta-feira (15) amanheceu com sirenes, portas arrombadas e o estopim de uma investigação que abalou os bastidores da noite teresinense. A Polícia Civil do Piauí deflagrou a Operação Dama da Noite, uma ação de grande porte que resultou na prisão de nove pessoas — entre elas, garotos de programa e suspeitos de tráfico de drogas — em Teresina e municípios do interior.
De acordo com as investigações, a organização criminosa atuava principalmente na Zona Sudeste da capital e mantinha um esquema ousado que misturava prostituição de luxo e comércio de entorpecentes, com entrega por sistema de delivery.
Tráfico, luxo e influência na noite
Segundo o delegado Breno Holanda, do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), o grupo usava boates e casas noturnas frequentadas por clientes de alto poder aquisitivo como fachada para as negociações de drogas.
“O comércio de entorpecentes era intermediado por profissionais do sexo. Seis garotas de programa atuavam como elo entre traficantes e consumidores dentro de estabelecimentos da capital”, detalhou o delegado.
A estrutura criminosa era bem definida: fornecedores, intermediadores e motoboys faziam a droga circular de forma discreta e veloz. Dois entregadores eram responsáveis por levar cocaína e maconha diretamente às residências de clientes selecionados.
Durante as buscas, os policiais apreenderam armas de fogo, porções de maconha, cocaína, celulares e veículos usados nas entregas. Todo o material foi encaminhado à sede do Denarc, onde os suspeitos permanecem à disposição da Justiça.
Estudante de odontologia apontado como líder
Entre os presos está Wallaf Nascimento Fontenele, de 30 anos, estudante de odontologia. Segundo o delegado Samuel Silveira, coordenador do Denarc, Wallaf seria o principal distribuidor de drogas para garotos e garotas de programa, além de abastecer diversas “bocas de fumo” em Teresina.
O jovem foi preso em casa, e seu carro — utilizado para o transporte de entorpecentes — também foi apreendido.
Ao ser questionado sobre o envolvimento, Wallaf reagiu com surpresa: “Faz cinco meses que não mexo com drogas. Vão me prender hoje? Garoto de programa? Tá doido?”, declarou.
A operação ainda prendeu João Victor de Sousa Lima, detido em Água Branca com um quilo de skunk e uma prensa hidráulica usada para compactar e armazenar a droga. Em outra frente da ação, um adolescente armado foi apreendido no bairro Santo Antônio, zona Sul da capital.
Uma teia que se estendia pelo interior
Ao todo, a Operação Dama da Noite cumpriu 12 mandados de prisão e 34 de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos em Teresina, Demerval Lobão, Nazária, Angical e Água Branca.
O delegado Anfrísio Castelo Branco, também do Denarc, ressaltou que o grupo mantinha ramificações com outras capitais do Nordeste, o que amplia o alcance da investigação.
“Era uma rede complexa, com hierarquia definida e conexões fora do estado. A operação é apenas o primeiro passo para desmantelar por completo essa estrutura”, afirmou.
O nome e o simbolismo
O nome “Dama da Noite” faz referência à flor que desabrocha no escuro, simbolizando a vida dupla dos envolvidos, que atuavam na noite como acompanhantes e, paralelamente, no tráfico de drogas.
A operação integra o programa Pacto pela Ordem, da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, e reforça o compromisso das forças policiais em combater o crime organizado e os pontos de venda de drogas na capital e região metropolitana.
Impacto
A “Dama da Noite” deixou de ser apenas uma metáfora para o mistério e o luxo da madrugada — tornou-se o nome de uma das maiores ofensivas contra o narcotráfico de fachada em Teresina, revelando o submundo por trás das luzes e da música alta das boates mais caras da cidade.
Da Redação – Imagem gerada por IA Chat GPT


