Uma rede criminosa altamente organizada, com ramificações em diversas cidades do Piauí e abastecida diretamente de São Paulo, foi desarticulada por forças de segurança do estado. O esquema milionário, liderado por um empresário conhecido como “Sheik”, movimentou mais de R$ 23 milhões nos últimos dois anos, utilizando laranjas, lavagem de dinheiro e um laboratório clandestino para multiplicar cocaína.
Segundo as investigações conduzidas pelo Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo não apenas traficava cocaína, mas também adulterava o entorpecente com substâncias químicas como cafeína e metanfetamina, elevando artificialmente o volume da droga para maximizar os lucros.
Droga “turbinada” em laboratório clandestino
O entorpecente saía de São Paulo já com parte da manipulação química e era enviado para o Piauí, onde passava por uma segunda etapa de adulteração. Em Oeiras, um laboratório clandestino funcionava como base para multiplicação da droga, que depois era distribuída em várias cidades do estado — como Teresina, Picos, Piripiri, Paulistana e Wall Ferraz.
O delegado Alcântara, responsável pela investigação, ressaltou a ousadia da quadrilha:
“Comprava carros, imóveis, circulava como se fosse apenas um empresário do ramo automotivo. Mas por trás dessa fachada estava um dos maiores distribuidores de cocaína do Sul do Piauí”, afirmou.
Lavagem de dinheiro e fachada empresarial
Além do tráfico, o grupo investia pesado em lavagem de dinheiro, usando nomes de terceiros — os chamados “laranjas” — para movimentar valores altos sem levantar suspeitas. Parte dos lucros da cocaína era depositada em contas de testas de ferro e convertida em bens como veículos de luxo e imóveis.
A estrutura da organização era profissional e contava com divisão de tarefas: logística, adulteração, transporte, distribuição e ocultação de patrimônio.
Presos e desdobramentos da operação
A operação contou com quatro fases e resultou, até agora, na prisão de sete pessoas. Entre os presos está o líder da quadrilha, um ex-candidato a vereador e empresário do ramo de veículos, que já havia sido detido anteriormente, mas estava em liberdade monitorada por tornozeleira eletrônica. Ele foi recapturado em Teresina ao lado de seu principal auxiliar, identificado como Fabrício Juscilino.
Em Picos, os agentes prenderam Francimeire Maria, apontada como uma das responsáveis pela logística e contatos locais da distribuição.
Como funcionava o esquema
- A cocaína era adquirida em São Paulo e misturada com substâncias químicas para render mais;
- A droga seguia para o Piauí, onde passava por nova manipulação química em um laboratório clandestino em Oeiras;
- Posteriormente, era distribuída para diversos municípios do estado, com foco nas regiões Sul e Centro-Sul;
- Os lucros do tráfico eram lavados por meio da compra de bens e uso de contas de laranjas.
Alerta das autoridades
As autoridades alertam que a investigação continua e novas prisões podem ocorrer. O Denarc e o Gaeco reforçam que a parceria entre inteligência, ações táticas e monitoramento financeiro foi essencial para desmontar a quadrilha.
Da Redação – Imagem: Gaeco


