A Polícia Civil deflagrou, nas primeiras horas desta terça-feira (18/11), a Operação USG, para desarticular um complexo esquema de corrupção na rede pública de saúde, com ramificações nos estados do Piauí e da Bahia. Durante a ação, um médico e sua secretária foram presos em Bom Jesus (PI). Em Corrente, mais duas prisões foram realizadas simultaneamente.
Ao todo, nove pessoas foram capturadas, entre elas vereadores, ex-gestores municipais, médicos e empresários. As autoridades calculam que o grupo tenha desviado mais de R$ 12 milhões, por meio de contratos fraudulentos com clínicas e laboratórios supostamente credenciados para prestar serviços ao SUS.
Esquema operava de dentro das prefeituras
As investigações são coordenadas pela Polícia Civil da Bahia (PC-BA). De acordo com a corporação, o esquema era liderado por ex-secretários municipais, que, em associação com familiares e empresários, manipulavam licitações e contratos para beneficiar empresas escolhidas. Muitos dos profissionais de saúde investigados atuavam como sócios ocultos ou laranjas dessas empresas, criadas exclusivamente para sugar recursos públicos.
Diretores e gestores hospitalares colaboravam com a fraude, garantindo a liberação de pagamentos por procedimentos, exames e atendimentos que nunca foram realizados.
Fraude sofisticada: serviços inventados e plantões fantasmas
Laudos técnicos elaborados pela PC-BA indicam que clínicas credenciadas funcionavam como base logística da fraude, sendo utilizadas para formalizar serviços que não existiam. Entre as irregularidades identificadas pelas equipes estão:
- Exames fictícios registrados em sistemas oficiais;
- Plantões pagos sem a efetiva presença do médico;
- Atendimentos e procedimentos inseridos nos relatórios, mas nunca executados;
- Manipulação de indicadores municipais de saúde para justificar repasses financeiros.
As denúncias apontam ainda que a articulação contava com apoio de agentes públicos que garantiam a continuidade do esquema ao longo de diferentes gestões municipais.
Investigações continuam e mais prisões não estão descartadas
A operação segue em andamento e novas medidas judiciais podem ser cumpridas nos próximos dias. A Polícia Civil avalia que o esquema operava há anos e pode ter causado danos irreparáveis à política de saúde de diversos municípios, prejudicando diretamente a população dependente do sistema público.
Da Redação – Imagem: Reprodução


