A opinião pública não tem dúvidas: o Brasil está diante do Pior Congresso Nacional da História Republicana. Um parlamento formado por mercenários, que legislam em causa própria e abandonaram a agenda nacional para se curvar a um único objetivo: livrar Jair Bolsonaro da prisão e torná-lo elegível. Se não for ele, já se articula o nome do pupilo, Tarcísio de Freitas, que resolveu vestir de vez a carapuça da extrema direita, atacando a democracia e o Supremo Tribunal Federal na tentativa de herdar o espólio bolsonarista.
Enquanto isso, projetos essenciais para a vida da população são jogados no lixo. A pauta que deveria tratar da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, da redução da alíquota para a classe média, do fim da escala de trabalho 6×1, da PEC da Segurança Pública, do marco legal da inteligência artificial, projetos na área da saúde, além da reformulação do Plano Nacional de Educação está paralisada. Tudo em nome da obsessão de uma oposição que age como quadrilha: proteger uma família e manter vivo um projeto golpista.
Os articuladores do golpe parlamentar

Nomes como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido de Bolsonaro na Câmara, não escondem o jogo. Em conversa com jornalistas, ele foi cristalino: “Ou ele [Hugo Motta, presidente da Câmara] nos atende, ou ele não nos atende. Já foi negociado. Nós desocupamos o plenário do Senado e da Câmara por causa de quê? Nós somos todos bobinhos?”.
No Senado, Rogério Marinho (PL-RN) tenta dar verniz jurídico ao inaceitável, acusando o Supremo de “interditar” o debate e defendendo a prerrogativa constitucional de conceder anistia até mesmo a criminosos que atentaram contra o Estado Democrático de Direito.
É um espetáculo de cinismo. Parlamentares que sempre desprezaram direitos humanos agora se travestem de defensores das liberdades apenas para justificar a libertação de vândalos, articuladores e financiadores da tentativa de golpe de 8 de janeiro.
A farsa da anistia
Não se trata de defender “o povo” ou “a família brasileira”, como gostam de alardear em público. Nos bastidores, todos sabem: a meta é blindar Jair Bolsonaro e, por extensão, seus filhos. É salvar a família Bolsonaro das garras da Justiça, custe o que custar. Os que se dizem representantes do povo, ignoram as pesquisas de opinião pública, que quer punição para os que atentaram contra a democracia.
O que está em jogo é muito maior do que o futuro político de um homem: é o destino da democracia brasileira. A anistia aos golpistas equivaleria a rasgar a Constituição, premiar criminosos e validar ataques contra o Estado Democrático de Direito. Como lembrou o ministro Luiz Fux, do STF, esse é um crime político impassível de perdão. É cláusula pétrea, inegociável.
“Entendo que crime contra o Estado Democrático de Direito é um crime político e impassível de anistia, porquanto o Estado Democrático de Direito é uma cláusula pétrea que nem mesmo o Congresso Nacional, por emenda, pode suprimir”, reforçou o ministro, que é tido como fiel da balança para o lado bolsonarista. Mas até ele mesmo não vê outro resultado que não seja a punição para os envolvidos na tentativa de golpe do 8 de janeiro de 2023.
O tapa na cara do povo
O líder do governo na Câmara, Alencar Santana (PT-SP), resumiu bem: avançar com esse projeto é “um tapa na cara do povo brasileiro, um tapa na cara da democracia, um tapa no próprio parlamento”.
Para a deputada Maria do Rosário (PT-RS), a ofensiva bolsonarista custa caro ao país, travando votações que interessam diretamente à população. Já Érika Kokay (PT-DF) vai além: trata-se de mais uma etapa do golpe, um sequestro da Câmara para dar continuidade ao projeto fascista.
Enquanto os mercenários do Congresso conspiram, o Brasil perde tempo, perde recursos e vê sua democracia novamente ameaçada. O mundo inteiro acompanha, atônito, um país onde parte da classe política não tem vergonha de esmagar o povo em troca da impunidade de uma família.
Damatta Lucas – Imagem: Chat GPT


