Pesquisa do Datafolha expõe disputa narrativa sobre Bolsonaro, STF e o 8 de Janeiro

Como se poderia esperar da imprensa brasileira — historicamente alinhada à direita tradicional — a divulgação da nova pesquisa Datafolha veio embalada em um discurso que tenta equilibrar polos, mesmo quando os números indicam uma realidade mais contundente. Segundo o levantamento, divulgado nesta quinta-feira (14), 51% dos brasileiros apoiam a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O dado, em si, já revela muito: apesar da forte polarização que a imprensa insiste em amplificar, a maioria da população, pelo menos na pesquisa, entende que a medida foi correta. Mais ainda: 53% consideram que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, está agindo dentro da lei no caso.

Mas o quadro também mostra que o país segue dividido: 42% discordam da prisão e 39% acreditam que Moraes “persegue” Bolsonaro por razões políticas. Para 43%, a Justiça trata o ex-presidente de forma mais dura que outros políticos, enquanto 37% acham que o tratamento é igualitário. Apenas 13% acreditam que ele é tratado de forma mais branda.

A pesquisa foi feita com 2.002 pessoas em 113 municípios, entre 11 e 12 de agosto, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 4 de agosto, após descumprir medidas cautelares impostas pelo STF. Ele cumpre a pena em Brasília, sem poder receber visitas, exceto advogados e pessoas previamente autorizadas. O uso de celular — próprio ou por terceiros — também está proibido.

Na decisão, Moraes foi direto:

“Não há dúvida de que houve o descumprimento da medida cautelar […] com claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao Supremo Tribunal Federal e apoio ostensivo à intervenção estrangeira no Poder Judiciário Brasileiro.”

O ex-presidente é acusado de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

A cobertura da imprensa, ao tratar a pesquisa como se houvesse um “empate moral” entre posições tão distintas, acaba jogando combustível no jogo da polarização. O risco é que, no lugar de esclarecer, se reforce a narrativa de que tudo não passa de um embate pessoal entre Bolsonaro e Moraes — quando, na verdade, o que está em jogo é algo muito mais profundo: a capacidade das instituições brasileiras de defenderem a Constituição diante de um ataque frontal.

E, nesse ponto, pouco importa se a imprensa prefere suavizar a gravidade dos fatos ou tentar equilibrar artificialmente a balança. O que importa é que o Judiciário siga a lei, as provas e a Constituição — e não o barulho das redes ou a conveniência política do momento.

Por Damatta Lucas – Imagem: ChatGPT

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