Um relatório da Polícia Federal, com base em informações repassadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelou que o ex-presidente Jair Bolsonaro movimentou mais de R$ 30,5 milhões em suas contas bancárias no período entre março de 2023 e fevereiro de 2024.
A apuração envolve também o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, apontados como beneficiários de transferências consideradas atípicas pelos investigadores.
Movimentações fora do padrão
Segundo o Coaf, foram detectadas cerca de 50 comunicações de operações suspeitas, sendo oito diretamente relacionadas a Jair e Eduardo Bolsonaro. Outras 42 envolveram terceiros ligados ao ex-presidente.
Entre as transações que mais chamaram atenção está o repasse de R$ 2 milhões feito por Bolsonaro para custear a estadia do filho nos Estados Unidos. A operação ocorreu em 13 de maio de 2025 e já havia sido confirmada pelo próprio ex-presidente em depoimento.
Outro destaque é a transferência de R$ 3 milhões da conta de Bolsonaro para Michelle Bolsonaro, realizada em junho deste ano. Para a PF, a proximidade da data com o depoimento prestado pelo ex-presidente indica possível tentativa de evitar bloqueio judicial de recursos.
Doações, partido e gastos jurídicos
No período analisado, Jair Bolsonaro recebeu R$ 19,3 milhões em doações via Pix, divididos em mais de 1,2 milhão de lançamentos.
O PL (Partido Liberal) também aparece no relatório como importante fonte de recursos, com R$ 291,7 mil transferidos ao ex-presidente.
Do outro lado da balança, os maiores desembolsos foram direcionados à defesa de Bolsonaro: R$ 6,8 milhões pagos a advogados ao longo de um ano.
Sinais de lavagem de dinheiro
De acordo com a PF, os indícios apontam para a utilização de “diversos artifícios para dissimular a origem e o destino de recursos financeiros”, o que pode configurar práticas de lavagem de dinheiro.
As autoridades destacam ainda a realização de 40 transações em espécie entre janeiro e julho de 2025, totalizando R$ 130,8 mil em saques. O volume, considerado expressivo, preocupa os investigadores por dificultar a rastreabilidade do dinheiro.
Outro ponto levantado foi o uso de contas de esposas: além de Bolsonaro transferir valores para Michelle, Eduardo Bolsonaro teria repassado recursos à sua esposa, Heloísa Bolsonaro, numa tentativa de escamotear a origem dos depósitos feitos pelo pai.
Passaporte retido, câmbio movimentado
O relatório também estranha as operações de câmbio realizadas por Bolsonaro, que somaram R$ 105,9 mil, apesar de o ex-presidente estar com o passaporte retido e proibido de deixar o país.
Contexto da investigação
As transações financeiras investigadas integram o inquérito que levou ao indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro pela Polícia Federal, no caso relacionado ao chamado “tarifaço” dos Estados Unidos contra o Brasil.
O documento sustenta que os valores movimentados podem ter servido de suporte para atividades ilícitas no exterior, especialmente ligadas ao mandato parlamentar de Eduardo.
🔎 Em resumo: Bolsonaro movimentou milhões em um ano, usou recursos de doações e do partido, repassou quantias milionárias para familiares e advogados, realizou saques expressivos em espécie e fez operações de câmbio mesmo sem poder deixar o Brasil. Para a PF, o padrão de transações levanta fortes suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Da Redação – Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil


