Policiais civis responsabilizam governo Tarcísio por morte de ex-delegado-geral

O assassinato de Ruy Ferraz Pontes (Foto), ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo e atual secretário de Administração de Praia Grande, na Baixada Santista, reacendeu uma crise entre as forças de segurança e o Palácio dos Bandeirantes. O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) divulgou uma nota oficial de repúdio em que aponta responsabilidade direta do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) pela vulnerabilidade enfrentada pelos policiais.

Pontes foi executado a tiros na noite desta segunda-feira (15), enquanto dirigia. Segundo a Polícia Militar, criminosos em uma caminhonete Toyota Hilux preta dispararam contra o veículo da vítima, que perdeu o controle, capotou e colidiu contra um ônibus. A suspeita inicial é de envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Críticas ao governo

Embora tenha lamentado a morte e prestado homenagens ao ex-delegado-geral, o Sindpesp usou a tragédia para fazer um alerta duro: o abandono da Polícia Civil por parte do governo estadual.

“A ação que resultou na execução de Ruy Ferraz Fontes escancara a forma como o Governo do Estado de São Paulo cuida de seus policiais mais dedicados, ao mesmo tempo em que torna gritante a necessidade de a Polícia Civil ser melhor tratada, com efetiva valorização de seus profissionais, mais contratações e aumento nos investimentos em estrutura física e de materiais”, diz o comunicado.

O sindicato ainda ressalta que enfraquecer a Polícia Civil significa fortalecer o crime organizado:

“É a Polícia Civil a responsável pela investigação das organizações criminosas. Se o governo permite que a instituição se enfraqueça, o crime organizado, inevitavelmente, ganhará espaço.”

Para a entidade, o homicídio do ex-delegado-geral “revela-se uma afronta às Forças de Segurança, à máquina pública e ao Estado de São Paulo, não podendo ficar impune, sob pena de todo o sistema de segurança cair em descrédito”.

Política em primeiro plano

As declarações dos delegados expõem uma tensão crescente dentro da segurança pública paulista. Entre as críticas, ganha força a percepção de que o governador Tarcísio de Freitas estaria mais preocupado em pavimentar sua candidatura à Presidência da República em 2026 do que em enfrentar os problemas estruturais da segurança.

O enfraquecimento da Polícia Civil, a falta de investimentos e a ausência de valorização profissional são apontados pelo Sindpesp como reflexos de uma gestão que prioriza o marketing político em detrimento da proteção da sociedade e dos próprios agentes de segurança.

Trajetória de Ruy Ferraz Pontes

Com mais de 40 anos de carreira, Ruy Ferraz Pontes foi delegado em diversas especializadas, comandou a Delegacia Geral de Polícia do Estado e dirigiu o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap). Formado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, também foi professor de Criminologia e Direito Processual Penal, além de ter participado de cursos no Brasil, na França e no Canadá.

Em 2023, assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande, onde estava até ser brutalmente executado.

Da Redação, com informações Revista Fórum – Imagem: Reprodução

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