Povo perde a paciência contra o Congresso que insiste em zombar da sociedade

O Brasil foi às ruas neste domingo. De Norte a Sul, multidões protestaram contra a PEC da Blindagem — a tentativa escancarada de garantir impunidade a parlamentares — e contra o projeto de anistia aos golpistas de 8 de janeiro de 2023, que tenta livrar da cadeia Jair Bolsonaro e seus comparsas. Foi um grito coletivo: basta de Congresso legislando em causa própria.

As manifestações expuseram o que o povo já sabe: temos hoje uma Câmara Federal que se comporta como um bunker de privilégios, onde deputados se blindam de processos, atropelam a democracia e ignoram os projetos que realmente importam, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a regulação da jornada de trabalho, investimentos em saúde e educação. Nada disso avança, porque não interessa a quem ocupa as cadeiras de Brasília.

A indignação popular cresceu ao ponto de não caber mais nas redes sociais — ela transbordou para as ruas. Artistas, movimentos sociais e cidadãos comuns deram as mãos para denunciar o escárnio de um Parlamento que flerta com a anistia a golpistas e a blindagem de criminosos de colarinho branco.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tenta posar de estadista ao dizer que é hora de “tirar da frente pautas tóxicas”. Mas não enganou ninguém. A própria aprovação da PEC e da urgência da anistia foi fruto de um acordo vergonhoso com bolsonaristas e o Centrão — uma barganha política para salvar a pele de quem teme o Supremo Tribunal Federal. Não foi decisão em favor da democracia, mas em favor da autopreservação.

O recado das ruas foi claro: o povo não aceita ser governado por deputados que legislam de costas para a população e de frente para os seus próprios processos. Não aceita anistia para golpistas, nem blindagem para corruptos.

Se a Câmara insiste em zombar da sociedade, a resposta virá com ainda mais força. A paciência acabou. O Brasil exige um Congresso que trabalhe para os brasileiros, não um covil que negocia impunidade em troca de acordos políticos.

Por Damatta Lucas – Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil

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