Quando a extrema direita aplaude a guerra, a democracia sangra

A comemoração vergonhosa de setores da extrema direita brasileira diante da agressão promovida por Donald Trump contra a Venezuela revela algo muito mais grave do que oportunismo político: expõe um projeto autoritário, submisso e profundamente antinacional. Ao celebrar uma ação militar estrangeira contra um país soberano da América do Sul, esses políticos deixam claro que nunca estiveram do lado da democracia — apenas do lado da força, da intervenção e da tutela imperial.

Não se trata de defender o regime de Nicolás Maduro. Essa cortina de fumaça já não engana ninguém. O que está em jogo é um princípio elementar do direito internacional: nenhuma nação tem o direito de invadir outra, impor sua vontade pela força ou decidir o destino de um povo à bala. Quando governadores brasileiros e um senador da República aplaudem esse tipo de agressão, o que fazem é rasgar a Constituição brasileira, que consagra a soberania, a autodeterminação dos povos e a não intervenção como fundamentos da política externa.

Como bem denunciou a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, é simplesmente vergonhoso que políticos de oposição tentem se aproveitar de uma crise que ameaça a estabilidade de todo o continente. A euforia de Ratinho Junior, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Flávio Bolsonaro não tem absolutamente nada a ver com defesa da democracia. É a expressão explícita do desejo de ver o Brasil submetido a uma intervenção estrangeira, caso seus interesses eleitorais não prevaleçam nas urnas.

Essa postura não surge do nada. É continuidade de um projeto derrotado nas eleições e repudiado pela sociedade brasileira. Foi esse mesmo campo político que conspirou abertamente contra o Brasil, estimulando sanções, tarifaços e até a aplicação da Lei Magnitsky, em articulações conduzidas por Eduardo Bolsonaro junto ao governo Trump. Um projeto de traição nacional que fracassou, graças à resistência institucional do país e à maturidade democrática do povo brasileiro.

Ao contrário dessa lógica colonial, venceu o Brasil soberano. Venceu a diplomacia responsável, ativa e altiva do governo Lula, que recolocou o país no cenário internacional como defensor do diálogo, da paz e da integração regional. Venceu a ideia de que conflitos se resolvem com política, não com bombas; com mediação, não com tanques.

Isso, porém, não significa que o Brasil esteja isento de riscos. O ataque à Venezuela é um alerta claro: quando uma potência decide se sobrepor à soberania de outros países, toda a região entra em zona de perigo. A América do Sul sabe, por experiência histórica, que intervenções “em nome da liberdade” quase sempre resultam em destruição, dependência e décadas de instabilidade.

Por isso, é inaceitável que políticos brasileiros com mandato celebrem esse tipo de agressão. Quem prefere um Brasil submisso aos interesses dos Estados Unidos não deveria jamais retornar ao poder. Não se trata de divergência ideológica legítima, mas de compromisso com a soberania nacional. Aplaudir invasões estrangeiras é cruzar uma linha moral e política que desqualifica qualquer pretensão de governar um país livre.

A história é implacável com os que traem seus povos. E, mais uma vez, ela deixa claro de que lado estão os que defendem a democracia de verdade — e de que lado estão os que torcem contra o próprio país.

Por Antonio Luiz, com imagem gerada por IA Chat GPT

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