Quando a mídia vira arma: o velho expediente das “buchas de canhão” do antijornalismo

Não é jornalismo. É método.
Não é apuração. É operação.

O que está em curso no caso Banco Master expõe, mais uma vez, um modus operandi antigo e recorrente da grande mídia tradicional brasileira, especialmente aquela historicamente alinhada aos interesses do mercado financeiro. Quando esses interesses se veem ameaçados por ações regulatórias, investigações ou decisões judiciais, entra em cena a artilharia pesada: jornalistas de grande projeção são escalados para cumprir o papel de “buchas de canhão”, conferindo verniz técnico e credibilidade a narrativas que, no fundo, têm endereço certo.

O Grupo Globo domina esse método como poucos.

A engrenagem é conhecida

Funciona assim:

  1. Um interesse financeiro poderoso entra em risco;
  2. A Justiça, o Banco Central ou o governo se aproximam demais;
  3. A mídia “liberal” reage;
  4. Profissionais consagrados são lançados à linha de frente;
  5. O foco sai do mérito técnico e passa a ser o ataque político-institucional.

Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Sérgio Moro foi transformado em fetiche moral da imprensa. Questionamentos eram tratados como heresia. Até que a Vaza Jato revelou o que muitos denunciavam: abuso de poder, conluio, ilegalidades — com consequências históricas, como a prisão injusta de Lula por mais de um ano.

Nada disso foi acidente. Foi método.

O caso Master e o novo roteiro

No episódio mais recente, a jornalista Malu Gaspar foi usada como peça central para acionar o alarme. Em dezembro, publicou que Alexandre de Moraes teria pressionado o presidente do Banco Central em favor do Banco Master. A narrativa caiu como uma bomba — e serviu de gatilho para um ataque coordenado ao STF.

O problema? A acusação não se sustentou.

Dias depois, a própria jornalista recuou. Admitiu que não houve pressão. Reconheceu que, ao ser informado sobre fraudes, Moraes recuou e defendeu a investigação. Ou seja: o fato central ruiu, mas o estrago político já estava feito.

É assim que funciona.

Quando Moraes não se intimida, o alvo muda

Diante da resistência de Alexandre de Moraes às tentativas de constrangimento público, a bateria foi reposicionada. O novo alvo passou a ser Dias Toffoli. O roteiro é semelhante: insinuações, ilações, ataques à honra, associações subjetivas e acusações sem prova direta de conluio.

Não se discute o mérito técnico da liquidação do Master — decisão unânime do colegiado do Banco Central, como a própria Malu Gaspar acabou admitindo. Discute-se o caráter dos ministros. Cria-se ruído. Planta-se dúvida.

O silêncio conveniente sobre o mercado

Enquanto isso, um ponto central permanece tratado com extremo cuidado: o papel dos grandes bancos e do próprio mercado financeiro. Pouco se fala, por exemplo, sobre:

  • A relação entre grandes grupos financeiros e diretores estratégicos do BC;
  • O conflito de interesses latente entre regulação pública e interesses privados;
  • O uso agressivo de marketing de massa por instituições sob pressão de liquidez;
  • O fato de que o Will Bank — patrocinador milionário da TV Globo — está no centro dessa engrenagem.

Aqui, o silêncio fala alto.

Jornalismo ou militância de mercado?

Não se trata de censura, nem de blindagem ao STF ou ao governo. Trata-se de algo mais básico: responsabilidade jornalística. Quando uma narrativa falsa ou distorcida é publicada, mesmo que depois corrigida, o dano institucional já está feito. O recuo não ganha a mesma manchete que o ataque inicial.

Esse padrão revela que parte da grande mídia deixou de atuar como fiscal do poder para se tornar ator político-econômico ativo, operando em defesa de interesses específicos, ainda que isso custe a estabilidade institucional e a confiança pública.

Conclusão

A Globo e outras mídias tradicionais não “informam” nesses momentos: operam.
Não “investigam”: pressionam.
Não “erram”: testam limites.

E quando jornalistas de expressão aceitam — voluntária ou involuntariamente — esse papel, tornam-se escudos humanos de interesses que jamais aparecem na assinatura da coluna.

A democracia não se fortalece assim. O jornalismo também não.

E a sociedade já viu esse filme antes.

Por Damatta Lucas – Imagem Gerada por IA ChatGPT

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