Durante anos, os refrigerantes nas versões zero ou diet foram promovidos como alternativas mais saudáveis às bebidas açucaradas — uma escolha inteligente para quem busca emagrecimento, controle glicêmico ou apenas reduzir calorias. No entanto, uma nova pesquisa reacende a polêmica ao associar o consumo diário dessas bebidas ao aumento do risco de gordura no fígado, também chamada de esteatose hepática.
O estudo, conduzido por cientistas chineses e apresentado na Semana Europeia de Gastroenterologia, sugere que quem consome uma lata por dia de refrigerante zero pode ter 60% mais chances de desenvolver o problema — número superior ao observado entre consumidores de bebidas açucaradas, cujo aumento seria de 50%.
Mas a conclusão está longe de ser definitiva. Especialistas lembram que esse tipo de pesquisa observacional identifica correlações, não causas diretas, e que outros fatores — como alimentação, estilo de vida e predisposição genética — podem influenciar os resultados.
Entre dados e disputas: ciência ou mercado?
O debate sobre os refrigerantes sem açúcar parece se repetir em ciclos. A cada novo estudo, surgem alertas, desmentidos e reavaliações — o que levanta uma questão: até que ponto há consenso científico e até que ponto há interesses comerciais em jogo?
As grandes indústrias de alimentos e bebidas travam, há décadas, uma disputa silenciosa entre produtos “tradicionais” e “light”. Enquanto uns investem na defesa dos adoçantes artificiais como seguros e eficazes, outros destacam riscos metabólicos e efeitos no microbioma intestinal. A ciência, por sua vez, segue tentando decifrar os impactos de longo prazo desses compostos no organismo humano.
O que o novo estudo realmente diz
A pesquisa chinesa acompanhou 123 mil adultos britânicos por dez anos, avaliando seus hábitos alimentares e histórico de saúde hepática. Entre os participantes, 1.178 desenvolveram esteatose hepática e 108 morreram por doenças ligadas ao fígado.
Segundo o autor principal, Lihe Liu, da Universidade Soochow, o consumo frequente de bebidas adoçadas artificialmente “pode interferir na saciedade e alterar o equilíbrio intestinal”, levando a maior desejo por açúcar e mudanças metabólicas. Ele recomenda moderação e reforça: “A opção mais segura ainda é a água.”
Pesquisas anteriores e visões divergentes
Outros estudos já haviam indicado efeitos semelhantes. Em 2022, pesquisadores do Medical College of Wisconsin, nos Estados Unidos, mostraram que adoçantes artificiais podem reduzir a capacidade de desintoxicação do fígado, ao inibir proteínas responsáveis pela eliminação de toxinas.
Por outro lado, organismos internacionais, como a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda consideram a maioria dos adoçantes seguros, desde que consumidos dentro dos limites diários recomendados.
Ou seja: o risco parece estar mais na frequência e na quantidade do que no simples ato de consumir.
Entre o medo e o equilíbrio
O que esses estudos indicam, em última análise, é que nem o açúcar comum nem os adoçantes artificiais são soluções perfeitas. Ambos, em excesso, podem trazer riscos à saúde — ainda que por caminhos diferentes.
Enquanto a ciência avança, a recomendação geral permanece a mesma: equilíbrio, variedade alimentar e bom senso.
Para quem busca alternativas, água, sucos naturais sem adição de açúcar e até água com gás continuam sendo as opções mais seguras e sustentáveis para a saúde e o planeta.
Da Redação – Imagem: Freepik


