Soldado vira réu por executar sargento da PM do Piauí após discussão banal: Justiça enquadra crime como homicídio por motivo fútil

Teresina (PI) – Um desentendimento banal, uma troca de tiros no meio da rua e um sargento da Polícia Militar do Piauí morto com um tiro certeiro na cabeça. A Justiça do Piauí acaba de tornar réu o soldado Raimundo Linhares da Silva, da PM do Maranhão, pelo assassinato do sargento João de Deus Teixeira dos Santos, de 67 anos, em um caso que chocou a corporação e escancarou a tensão entre dois colegas de farda.

A denúncia foi formalizada pelo Ministério Público do Estado e aceita pela juíza Maria Zilnar Coutinho, da 2ª Vara do Tribunal Popular do Júri de Teresina. O soldado vai responder por homicídio doloso qualificado, por motivo fútil – o que indica que o crime foi cometido com intenção de matar e por uma razão insignificante, revelando frieza e total desprezo pela vida da vítima.

Discussão virou campo de guerra

O crime ocorreu no fim da tarde de 5 de novembro de 2024, em plena via pública, no bairro Parque Sul, zona Sul da capital. Tudo começou com uma simples disputa por vaga: o soldado Raimundo Linhares teria estacionado o carro em frente à residência do sargento João de Deus. Incomodado, o veterano da PM-PI questionou o colega de outra corporação — e a discussão rapidamente escalou.

Segundo o delegado Francisco Costa, o Barêtta, que comandou as investigações, houve troca de tiros ali mesmo, diante de moradores e transeuntes. Em determinado momento, o sargento recuou, entrou em casa e voltou armado, com mais munições. Linhares, segundo a investigação, já o esperava do lado de fora e disparou novamente — atingindo a cabeça do sargento.

João de Deus foi socorrido às pressas, mas não resistiu aos ferimentos e morreu seis dias depois no hospital.

Soldado alegou legítima defesa

Após o tiroteio, o soldado fugiu do local, mas se apresentou à polícia dias depois. Em depoimento, afirmou ter agido em legítima defesa, versão que não convenceu a Polícia Civil nem o Ministério Público.

A investigação foi concluída em maio deste ano, apontando com clareza a intenção homicida do soldado maranhense. “Foi um crime frio, por um motivo insignificante. O acusado teve tempo para refletir e decidiu matar”, disse uma fonte ligada à investigação.

Policial contra policial

O caso escancarou um triste e violento confronto entre homens da lei, ambos armados, treinados e experientes — mas que, em vez de proteger a sociedade, protagonizaram uma tragédia que terminou com sangue na calçada.

Agora, com a denúncia aceita, Raimundo Linhares da Silva vai responder como réu e poderá enfrentar o Tribunal do Júri. Se condenado, pode pegar pena superior a 20 anos de prisão.

Da Redação – Imagem: Reprodução

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