Há algo de profundamente revelador no nervosismo da grande mídia liberal-conservadora diante do chamado caso Banco Master. O roteiro é velho, conhecido, quase previsível: deslegitimar o Supremo Tribunal Federal, atacar ministros, insinuar conspirações, envolver Lula de forma indireta, plantar suspeitas difusas, produzir clima político e tentar repetir o script que, uma década atrás, abriu caminho para o lawfare, o impeachment sem crime e a ascensão da extrema direita.
Mas o país não é mais o mesmo.
E, sobretudo, as instituições não são mais as mesmas.
Nos tempos do lavajatismo, procuradores e juízes conduziam operações como espetáculos midiáticos, vazavam seletivamente informações, pautavam redações, condenavam antes do processo e transformavam a imprensa em correia de transmissão de interesses políticos e econômicos. A mídia, em vez de fiscalizar o poder, se tornou parte do poder — e o exerceu de maneira seletiva, protegendo os de cima e esmagando os de baixo.
Hoje, o que se vê é diferente.
Um STF que não recua diante do grande capital
A reação do ministro Dias Toffoli aos ataques da imprensa liberal é emblemática. Ao divulgar hoje uma nota detalhada sobre os andamentos da operação Compliance Zero, Toffoli deixa claro: as investigações continuarão, doa a quem doer. Não há espetáculo, não há vazamentos cinematográficos, não há conduções coercitivas transformadas em show televisivo. Há processo, rito, defesa, contraditório, sigilo técnico e institucionalidade.
É justamente isso que incomoda.
O caso Master toca em nervos sensíveis: o sistema financeiro, a Faria Lima, grandes empresários, caciques do Congresso Nacional. Ou seja, toca nos setores que a grande imprensa tradicional costuma blindar. Quando o alvo é o povo, a periferia, sindicatos, movimentos sociais ou governos progressistas, a lupa vira microscópio. Quando o alvo é o grande capital, a lupa vira cortina.
Não por acaso, a mídia liberal-conservadora tenta construir uma narrativa de “abuso do STF”, “ativismo judicial”, “interesses escusos”, “perseguição política”. O mesmo vocabulário do lavajatismo, agora reciclado.
O fim da era dos donos da verdade
Há outro fator novo e decisivo: as redes sociais quebraram o monopólio da narrativa.
Comentadores travestidos de jornalistas sérios já não falam sozinhos. A população questiona, confronta, expõe contradições, recupera memória histórica, compara narrativas, denuncia seletividade.
Eles já não são os donos da verdade.
E isso os desespera.
A velha imprensa ainda tenta vender falsas verdades como verdades absolutas, mas encontra resistência. O povo aprendeu — ainda que lentamente — que há interesses por trás de editoriais, colunas e manchetes. Que banqueiros, grandes empresários e elites políticas sempre tiveram porta-vozes na mídia. Que a neutralidade foi, muitas vezes, uma farsa conveniente.
Viúvos e viúvas do lavajatismo
Os viúvos e viúvas do lavajatismo não aceitam que seu projeto político-jurídico-midiático tenha fracassado. Querem repetir 2016, 2018, 2022. Querem transformar investigações seletivas em armas políticas, querem destruir reputações, querem fabricar crises, querem deslegitimar o STF quando o STF não serve a seus interesses.
Mas há uma diferença crucial:
o STF não está mais disposto a ser chantageado pela opinião publicada.
Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e outros ministros têm sido alvos de campanhas de intimidação. A resposta institucional é clara: não recuar um milímetro. A investigação segue, o processo segue, o Estado de Direito segue.
Instituições amadurecendo, democracia respirando
O caso Master é um teste de maturidade institucional. Não se trata de defender culpados ou inocentes, mas de defender o devido processo legal, a soberania das instituições e a igualdade perante a lei — inclusive para banqueiros, políticos poderosos e elites financeiras.
O Brasil começa, lentamente, a sair da lógica do justiçamento midiático e da política judicializada seletivamente. Isso não agrada aos que sempre lucraram com a confusão entre manchete e sentença, entre opinião e prova, entre interesse privado e interesse público.
Eles terão que se acostumar
O país mudou. A sociedade mudou. As redes mudaram o jogo. O STF aprendeu com os erros do passado. A democracia, apesar de atacada, resistiu.
Os blindadores de esquemas, os editorialistas de conveniência, os comentaristas a serviço do grande capital terão que se acostumar com um novo cenário: não são mais os donos da narrativa, não são mais intocáveis, não são mais incontestáveis.
E, se insistirem em repetir o lavajatismo, terão que se esconder — não pela censura, mas pela irrelevância histórica que os aguarda.
Porque o Brasil começa, finalmente, a perceber quem sempre esteve do lado do povo e quem sempre esteve do lado do dinheiro.
Por Damatta Lucas – Imagem: Chat GPT


