STF: Segundo dia de julgamento da trama golpista tem ofensiva das defesas de Bolsonaro e generais

O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou nesta quarta-feira (3) a segunda sessão do julgamento que apura a tentativa de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus. A audiência, restrita ao período da manhã e com duração de quase quatro horas, foi marcada pela sustentação oral das defesas de Bolsonaro e de três generais: Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira.

O julgamento será retomado apenas na próxima terça-feira (9), às 9h, quando começam a ser apresentados os votos dos ministros da Corte.


Defesa de Bolsonaro

O principal destaque do dia foi a fala de Celso Vilardi, advogado de Jair Bolsonaro. Ele reiterou que o ex-presidente é inocente e que “não há uma única prova” que o ligue aos ataques de 8 de janeiro, à chamada “minuta do golpe” ou a planos de assassinato de autoridades.

Segundo Vilardi, a colaboração premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid seria “inconsistente” e deveria ser anulada por contradições. Ele acusou Cid de mentir e de ter sido “induzido” a incriminar Bolsonaro.

“Essa minuta, esse depoimento, não há uma única prova que atrele o ex-presidente à Operação Luneta, ao Punhal Verde e Amarelo e ao 8 de janeiro. Nem o delator falou isso. Não há uma única prova”, afirmou.

A defesa também denunciou cerceamento, alegando que não houve tempo para analisar as provas — que somariam mais de 70 terabytes de dados coletados pela Polícia Federal. Vilardi afirmou que a disponibilização do material em massa prejudicou a atuação da equipe:

“Nós não tivemos o tempo que a PF e o MPF tiveram para analisar as provas. São bilhões de documentos. Eu não conheço a íntegra desse processo.”

O advogado ainda tentou desqualificar a minuta golpista e ressaltou que Bolsonaro promoveu a transição de governo para Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive intermediando contato entre os comandantes militares e o novo ministro da Defesa, José Múcio. Por fim, pediu a absolvição do ex-presidente e criticou a possibilidade de uma pena de 30 anos.

🔎 O que pesa contra Bolsonaro: a investigação da PF aponta que ele atuou como “planejador, dirigente e executor” das ações golpistas, com plena consciência e participação ativa. A Procuradoria-Geral da República (PGR) o acusa de liderar uma organização criminosa baseada em um projeto autoritário de poder.


Defesa de Braga Netto

José Luís Oliveira Lima, advogado do general Walter Braga Netto, encerrou as falas do dia. Ele concentrou sua argumentação em deslegitimar a delação de Mauro Cid, que classificou como “mentirosa” e “sem sustentação”.

“O que tem contra Braga Netto é essa delação mentirosa e oito prints adulterados. Isso não fica em pé de jeito nenhum”, disse.

Segundo a defesa, o ex-ministro da Casa Civil e ex-candidato a vice na chapa de Bolsonaro é inocente e não deve ser condenado. O advogado também reclamou do volume de documentos anexados ao processo e do pouco tempo para analisá-los, afirmando que a defesa foi “cerceada”.

🔎 O que pesa contra Braga Netto: de acordo com a PGR, o general coordenou as ações mais violentas do grupo, manteve contato direto com manifestantes e articulou estratégias clandestinas com militares ligados ao governo. Atualmente, ele está preso no Rio de Janeiro por suspeita de obstruir as investigações.


Defesa de Augusto Heleno

O advogado Matheus Mayer Milanez, representante do general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), iniciou os trabalhos do dia. Ele questionou a conduta do relator Alexandre de Moraes, dizendo que o juiz não pode ser “protagonista do processo” nem substituir o papel do Ministério Público.

A defesa rejeitou acusações de que Heleno tenha pressionado militares por adesão a um golpe e contestou o uso da agenda apreendida em sua casa como prova. Milanez ainda destacou o afastamento gradual entre Heleno e Bolsonaro no fim do governo.

🔎 O que pesa contra Augusto Heleno: a PGR o acusa de integrar o núcleo estratégico da organização criminosa, citando sua agenda com teor golpista como indício de participação ativa.


Defesa de Paulo Sérgio Nogueira

Já a defesa do general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, afirmou que ele tentou dissuadir Bolsonaro de aderir a propostas golpistas. O advogado Andrew Fernandes destacou que seu cliente foi alvo de ataques virtuais de outros militares justamente por não aderir ao plano.

“Está mais que provado que o general Paulo Sérgio é inocente. Ele não fazia parte dessa organização criminosa”, disse.

A defesa também minimizou declarações polêmicas sobre urnas eletrônicas, sustentando que o Ministério da Defesa manteve cooperação com a Justiça Eleitoral.

🔎 O que pesa contra Paulo Sérgio Nogueira: segundo a PGR, ele buscou apoio das Forças Armadas para a ruptura institucional e participou de reuniões que discutiam a sustentação de um eventual golpe.


Próximos passos

Com a conclusão das falas das defesas nesta quarta-feira, o julgamento da trama golpista será retomado no dia 9 de setembro, quando os ministros do STF começarão a votar. A expectativa é que o relator, Alexandre de Moraes, abra a série de votos, seguido por Cristiano Zanin e demais integrantes da Corte.

Da Redação – Imagem: Marcos Corrêa

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