As movimentações políticas em Brasília começam a redesenhar possíveis cenários para as eleições de 2026. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) assumem papéis de destaque em articulações que envolvem desde a sucessão presidencial até o futuro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo entrevista de Nogueira à Folha de S.Paulo, divulgada nesta sexta-feira (5), o senador confirmou que tem mantido diálogos constantes com lideranças políticas e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O tema central é a discussão em torno da anistia, que ganhou força nos bastidores do Congresso e pode ter impacto direto sobre o destino jurídico de Bolsonaro.
Nogueira afirmou que recebeu do ex-presidente a missão de atuar em defesa da medida no Legislativo. Ele ressaltou, no entanto, que a questão da elegibilidade de Bolsonaro não está no centro das negociações, e sim o debate sobre uma saída política que permita ao ex-presidente manter influência sem disputar a Presidência.
Apoio a Tarcísio em 2026
Em suas declarações, o senador destacou que Bolsonaro estaria ciente das dificuldades para reverter a inelegibilidade e que, diante desse cenário, poderia transferir seu apoio ao governador de São Paulo. Segundo Nogueira, Tarcísio seria hoje um dos nomes mais competitivos da oposição para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma eventual disputa de segundo turno em 2026.
“O que mais credencia o Tarcísio é a chance de vitória”, disse Nogueira, reforçando a tese de que o ex-presidente deve endossar a candidatura do governador paulista até janeiro de 2026.
Divergências internas
Apesar da aproximação, há resistências dentro do próprio grupo político de Bolsonaro. Reportagens publicadas por O Globo relatam que o ex-presidente teria demonstrado desconforto com o protagonismo de Ciro Nogueira nas articulações e com a pressão para que um nome fora do clã Bolsonaro seja lançado à disputa.
A família do ex-presidente também aparece no centro das discussões. Nogueira chegou a criticar Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por suas posições em relação a medidas comerciais envolvendo o Brasil e os Estados Unidos. Ainda assim, o senador ponderou que o deputado atua em defesa do pai.
O peso do eleitorado radical
As negociações em torno de uma possível anistia e da sucessão de Bolsonaro também consideram a força do eleitorado mais fiel ao ex-presidente, estimado em cerca de 15% do eleitorado nacional. Esse grupo é visto como decisivo para garantir a presença de um candidato de oposição no segundo turno das eleições presidenciais.
Por Damatta Lucas – Imagem: Chat


