Tarcísio de Freitas e o vergonhoso papel de subserviência ao extremismo de Trump

Por Damatta Lucas

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), escancarou nesta segunda-feira (18) sua completa falta de compromisso com a soberania brasileira. Em evento da corretora Warren Investimentos, em São Paulo, o pré-candidato à Presidência sugeriu que o Brasil deveria “entregar uma vitória” ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para aliviar o tarifaço de 50% imposto contra produtos nacionais.

Segundo Tarcísio, Trump “gosta de posar com chefes de Estado e mostrar vitórias” e, por isso, o Brasil deveria “fazer um gesto”. O gesto, na visão do governador paulista, seria abrir mão da importação de diesel russo, mesmo diante da crise energética e da necessidade de diversificação de fornecedores.

A declaração não é apenas absurda — é um tapa na cara da dignidade nacional. Tarcísio, que se coloca como herdeiro político de Jair Bolsonaro mesmo com o ex-presidente inelegível, defende que o Brasil se ajoelhe diante dos EUA. Esse tipo de mentalidade de vira-lata, que prefere a humilhação e a submissão a um governo estrangeiro em detrimento da autonomia nacional, revela que sua candidatura se constrói sobre a ideia de um Brasil fraco, dependente e refém do extremismo trumpista.

Não é a primeira vez. Quando Trump anunciou seu tarifaço, Tarcísio aplaudiu — mesmo sabendo do enorme prejuízo que isso traria para empresas paulistas e para a economia nacional. Agora, tenta transformar a submissão a Washington em estratégia de política externa.

É preciso dizer com todas as letras: a sobretaxa de Trump, que atinge 55% das exportações brasileiras — café, carne bovina, maquinário pesado e outros setores vitais — não é apenas um gesto econômico. É um ato político. A Casa Branca deixou claro: a medida está relacionada ao processo criminal contra Jair Bolsonaro, às decisões do Supremo Tribunal Federal sobre regulação das redes sociais e até às críticas ao Pix, instrumento que fortaleceu a bancarização no Brasil, mas incomoda gigantes do sistema financeiro norte-americano.

Diante desse cenário, a fala de Tarcísio não é só infeliz — é criminosa contra o próprio país. Em vez de defender a indústria, o campo e os trabalhadores brasileiros, o governador paulista aposta na rendição. Quer que o Brasil se curve, se venda, se humilhe para que Trump possa posar para fotos como “vencedor”.

Tarcísio de Freitas mostra, cada vez mais, que sua candidatura à Presidência não tem nada a ver com soberania, independência ou orgulho nacional. Seu projeto é outro: transformar o Brasil em colônia subserviente aos interesses da extrema direita americana.

E isso, sim, é inaceitável.

Ilustração: ChatGPT

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