O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), passou a admitir abertamente a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2026. Até recentemente, o aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negava qualquer intenção de entrar na corrida pelo Palácio do Planalto, mas agora admite que pode aceitar a missão caso seja convocado pelo líder da extrema direita.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a prioridade de Tarcísio segue sendo a tentativa de reeleição ao governo paulista. Ainda assim, a indefinição mantém em aberto dois cenários: permanecer em São Paulo ou assumir o posto de principal nome do bolsonarismo para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. Pela legislação eleitoral, caso decida concorrer à Presidência, Tarcísio terá de renunciar ao governo em abril de 2026.
Estratégia em construção
O novo discurso ocorre em meio a ajustes de comunicação e a uma agenda ampliada de compromissos públicos. O governador tem intensificado viagens pelo interior paulista, inclusive aos fins de semana, entregando obras e anunciando investimentos. Paralelamente, também tem marcado presença em encontros com empresários e representantes do setor financeiro, onde expõe sua visão sobre o país e critica o governo federal.
A estratégia busca preparar terreno para uma eventual campanha nacional, evitando que ele parta do zero em 2026 e consolidando articulações políticas com diferentes setores da direita.
O vácuo deixado por Bolsonaro
A movimentação de Tarcísio acontece em um contexto de disputa pelo espaço deixado por Jair Bolsonaro, que responde a processos por tentativa de golpe de Estado em 2022 e está preso desde julho deste ano. No último fim de semana, durante a Festa do Peão de Barretos, o governador paulista dividiu o palco com Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), em um gesto de articulação da direita.
A estratégia, construída em diálogo com o ex-presidente Michel Temer (MDB), prevê lançar vários nomes no primeiro turno e unificá-los no segundo. A tentativa, no entanto, gerou reação imediata do clã Bolsonaro. Carlos Bolsonaro (PL-RJ) atacou os governadores nas redes sociais, chamando-os de “ratos” e “canalhas”, acusando-os de oportunismo.
Em Barretos, Tarcísio tentou reafirmar sua lealdade ao bolsonarismo. Chegou a erguer um boneco inflável de Bolsonaro, mas o escondeu rapidamente. Em seu discurso, falou em “humilhação” e “injustiça” contra o ex-presidente, sem citá-lo nominalmente.
O escândalo da Ultrafarma
Enquanto se projeta nacionalmente, o governador de São Paulo enfrenta um desgaste crescente em seu próprio governo. Um dos maiores escândalos de corrupção empresarial do país envolve o dono da rede Ultrafarma, com suspeitas de desvios bilionários que atingem diretamente a gestão paulista. O caso, que compromete contratos e repasses de recursos públicos, expõe falhas de fiscalização e fragiliza a imagem de Tarcísio como gestor.
Apesar da gravidade, a maior parte da imprensa conservadora tem evitado dar destaque ao caso, blindando o governador em meio às investigações. Nos bastidores, aliados reconhecem que a crise pode se tornar um dos principais obstáculos para uma candidatura presidencial competitiva.
Entre dois caminhos
Tarcísio de Freitas segue equilibrando sua trajetória política entre dois caminhos: tentar consolidar-se como líder nacional da direita ou garantir um segundo mandato no maior estado do país. Para qualquer uma das opções, dependerá não apenas do aval de Jair Bolsonaro, mas também da capacidade de resistir às pressões internas, às divisões do bolsonarismo e, sobretudo, ao impacto do escândalo da Ultrafarma.
Fonte: Da Redação, com informações do Brasil de Fato – Imagem: Fábio Rodrigues/Agência Brasil


