A ofensiva comercial esconde uma guerra por minerais estratégicos, com apoio interno de setores entreguistas do Congresso Nacional
No próximo dia 1º de agosto, deve entrar em vigor o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. À primeira vista, trata-se de uma medida puramente protecionista. Mas, como dizem os estrategistas de segurança: o que está na superfície é só a ponta do iceberg. O que se esconde por trás dessa ação unilateral norte-americana é muito mais grave: uma tentativa escancarada de chantagem econômica com objetivos geopolíticos — o controle das terras raras brasileiras.
Os minerais que movem o mundo digital
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a indústria de alta tecnologia, incluindo celulares, carros elétricos, satélites, turbinas e equipamentos militares. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, o que o torna peça-chave em qualquer tabuleiro global de poder.
O preço do alívio: o que os EUA realmente querem
Fontes diplomáticas revelaram que, dias antes do tarifaço ser confirmado, um representante do governo dos EUA, um encarregado de negócios que atua no Brasil em substituição a um embaixador ainda não nomeado, procurou lideranças do setor exportador brasileiro. A proposta foi direta: em troca de reduzir tarifas, os EUA exigem acesso facilitado às terras raras localizadas em território brasileiro, incluindo áreas sob proteção ambiental e terras indígenas.
Essa exigência expõe o verdadeiro objetivo da medida tarifária: não apenas proteger o mercado norte-americano, mas forçar o Brasil a abrir mão de sua soberania sobre recursos estratégicos.
Congresso brasileiro atua como cúmplice: marco temporal e desmonte ambiental
A ofensiva dos EUA não está sozinha. Ela vem sendo cuidadosamente pavimentada internamente com o apoio de setores do Congresso Nacional. A aprovação do marco temporal, que fragiliza os direitos dos povos originários e abre caminho para a exploração mineral em terras indígenas, é um claro sinal dessa entrega programada.
Paralelamente, o desmonte do licenciamento ambiental, promovido sob o argumento do “desenvolvimento”, facilita ainda mais a entrada de mineradoras internacionais em áreas antes protegidas. O que está em jogo é um modelo de exploração que ignora os limites ecológicos, os direitos humanos e a Constituição brasileira.
O mesmo roteiro, outros países: Ucrânia, Japão, e agora o Brasil
A estratégia não é nova. Donald Trump impôs chantagens semelhantes à Ucrânia, condicionando ajuda militar à exploração de terras raras ucranianas, com o mesmo objetivo em relação ao Brasil. No Japão, usou tarifas como forma de pressionar acordos comerciais bilaterais vantajosos, como a exportação de aeronaves comerciais para os japoneses, incluindo 100 aviões da Boeing, e US$ 8 bilhões em vendas de produtos agrícolas norte-americanos, como milho, soja, fertilizantes, bioetanol e combustível de aviação sustentável. No Brasil, o alvo são os minerais, também.
Mas ao contrário dos outros países, o Brasil conta com uma das maiores biodiversidades do planeta, abriga territórios indígenas fundamentais à proteção da água, das florestas e do clima, e está diante da possibilidade de explorar suas riquezas com soberania e sustentabilidade, sem se ajoelhar a interesses estrangeiros.
Conclusão: ou o Brasil acorda, ou será saqueado
O tarifaço de Trump, o marco temporal e o desmonte ambiental não são fatos isolados. Eles fazem parte de um mesmo plano: transformar o Brasil num mero fornecedor de recursos para os Estados Unidos, à custa dos direitos dos povos indígenas e do meio ambiente.
O Brasil pode — e deve — explorar suas riquezas minerais. Mas isso deve ser feito com responsabilidade, justiça social e, acima de tudo, soberania. Não em nome de chantagens ou pressões externas. Não em troca de alívio tarifário. E muito menos com a cumplicidade de representantes entreguistas no Congresso Nacional.
Por Damatta Lucas – Imagem: ChatGPT


