Teresina (PI) — Uma mãe viveu momentos de desespero ao encontrar o corpo de um jovem no quintal da casa do próprio filho, na manhã deste sábado (21), na ocupação Lindalma Soares, região da Grande Santa Maria, na zona Norte da capital. O filho dela havia sido baleado cerca de 12 horas antes no mesmo local, mas sobreviveu. As duas vítimas seriam amigos e estavam juntos no momento do ataque.
Segundo informações apuradas pelo Cidadeverde.com, os jovens foram surpreendidos por criminosos armados na noite de sexta-feira (20), por volta das 18h30, quando estavam em via pública. Vários disparos foram efetuados. Um deles foi socorrido com vida por uma equipe do Samu e levado ao hospital. Já o outro ficou desaparecido e só foi localizado morto na manhã do dia seguinte.
“Já no hospital, a vítima contou à mãe que estava acompanhada de um colega no momento dos disparos e acreditava que ele também havia sido atingido. Ao amanhecer, ela foi até a casa do filho e encontrou o corpo no quintal. A Polícia Militar foi acionada, fez o isolamento da área e solicitou perícia e IML”, informou o 13º Batalhão da PM.
Até o momento, os nomes dos envolvidos não foram divulgados, nem se há histórico de envolvimento com a criminalidade. A motivação do crime será investigada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que já iniciou os trabalhos de apuração.
Disputa de facções e aumento da violência em Teresina
O crime brutal ocorrido na zona Norte da capital ocorre em um contexto de avanço das facções criminosas em Teresina. A cidade tem enfrentado, nos últimos anos, uma escalada de violência relacionada à disputa territorial entre grupos como o Comando Vermelho, o Bonde dos 40 e organizações menores que operam localmente. Essa rivalidade está diretamente ligada ao tráfico de drogas e ao domínio de áreas consideradas estratégicas.
Regiões como a Grande Santa Maria, Santa Bárbara, Vila Bandeirantes e Dirceu estão entre as mais afetadas. Nessas localidades, o número de homicídios, tentativas de execução e ataques a residências tem aumentado de forma preocupante, muitas vezes atingindo vítimas inocentes.
Dados da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) mostram que mais de 70% dos homicídios registrados em Teresina têm ligação direta com o tráfico e disputas entre facções. A maioria das vítimas são jovens negros, entre 15 e 29 anos, moradores da periferia — perfil que reflete um padrão nacional de violência estrutural.
Forças de segurança reforçam repressão ao crime organizado
Diante da crescente ameaça imposta pelo crime organizado, as forças de segurança pública do Piauí têm adotado medidas de enfrentamento mais contundentes. O Batalhão de Operações Especiais (Bope), o Rone, a Força Tática e o 13º BPM atuam em operações regulares de saturação, ocupação e desarticulação de pontos de tráfico.
Em paralelo, a Polícia Civil, por meio do DHPP e da Delegacia de Entorpecentes (Depre), intensificou investigações e prisões de lideranças de facções. Neste ano, dezenas de suspeitos foram detidos em operações coordenadas, que resultaram na apreensão de armas de fogo, munições e drogas.
A atuação das forças policiais também conta com o apoio da Feisp (Força Estadual Integrada de Segurança Pública), criada para articular ações entre os poderes estadual e federal no combate ao crime organizado. Além disso, o governo do Estado investe em tecnologia e inteligência, com o uso de câmeras de monitoramento, análise de dados e drones em áreas sensíveis.
Medo, luto e pedidos por paz
O caso ocorrido na ocupação Lindalma Soares é mais um episódio trágico que reforça o clima de medo nas periferias de Teresina. A violência deixa um rastro de dor entre familiares e vizinhos e alimenta o sentimento de abandono por parte do poder público.
A mãe que encontrou o corpo no quintal da própria casa representa a face mais cruel dessa realidade — famílias dilaceradas por uma guerra silenciosa, em que a juventude é a principal vítima.
Enquanto as investigações seguem para esclarecer o caso e responsabilizar os autores, a população da zona Norte segue convivendo com a insegurança cotidiana e a urgência de respostas mais eficazes.
Redação Clique PI – Imagem: GPT


