Trump quer mandar na Justiça Brasileira?

Por Damatta Lucas

A ousadia não tem limites. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e símbolo de um populismo autoritário global, agora tenta se intrometer diretamente em decisões do Poder Judiciário brasileiro. Em uma publicação nas redes sociais, Trump saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), e resolveu rotular como “aberração jurídica” um processo legítimo conduzido por uma das instituições mais sólidas da democracia brasileira.

O gesto foi imediatamente rechaçado por integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que destacaram o óbvio: o Brasil é um país soberano, com instituições independentes e não aceita interferência — muito menos de um político estrangeiro que coleciona escândalos, processos criminais e promessas de guerra armada e tarifária mundo afora.

Reação de Bolsonaro e seus aliados

Como era de se esperar, Bolsonaro não perdeu tempo e respondeu em tom de gratidão: disse ter recebido “com alegria” a manifestação de Trump e voltou a repetir que está sendo alvo de uma “aberração jurídica”. Curioso vindo de quem tentou subverter a democracia brasileira, incentivando ataques às urnas e instigando seus apoiadores contra as instituições.

Eduardo Bolsonaro (PL-SP), sempre servil ao trumpismo, agradeceu ao americano e chegou a convocar seus seguidores a amplificarem o recado. Insinuou que “outras novidades” vindas dos Estados Unidos estariam por vir. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e filho do ex-presidente, ecoou a tese de que o julgamento de Bolsonaro deveria ser feito “nas urnas”, ignorando que ninguém está acima da lei. Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (PL), alinhado ao bolsonarismo, reforçou que o “povo” deveria ser o único a julgar Bolsonaro. Uma tentativa clara de deslegitimar o Judiciário.

Governo Lula reage e reforça soberania nacional

Em resposta ao atrevimento internacional, o presidente Lula foi direto: “O Brasil não aceita interferência ou tutela de quem quer que seja”. Reforçou ainda que as instituições brasileiras são sólidas, independentes e comprometidas com a legalidade. Uma mensagem firme, digna de um chefe de Estado que compreende os pilares da democracia.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também não poupou palavras e disse que Trump “deveria cuidar dos seus próprios problemas” — o que não são poucos — e deixar de tentar interferir em assuntos internos de uma nação soberana. Já o advogado-geral da União, Jorge Messias, resumiu a gravidade do episódio:

“O Brasil é uma nação livre, soberana e democrática. Qualquer tentativa de interferência em nossos assuntos internos — venha de onde vier — será firmemente rechaçada.”

E acrescentou:

“Essa diretriz é ainda mais relevante quando se trata de preservar a independência do Poder Judiciário contra qualquer forma de pressão externa voltada a interferir em suas decisões.”

Uma aberração real: a tutela imperialista travestida de apoio

O que Trump tenta fazer — e o bolsonarismo aplaude — é inverter o jogo democrático. Colocar pressão internacional para intimidar o Supremo Tribunal Federal e criar uma narrativa de perseguição. Mas o Brasil não é colônia. Já superamos o tempo em que potências estrangeiras tentavam ditar o rumo das nações soberanas. Não aceitaremos que um político estrangeiro, investigado e processado no próprio país, queira agora assumir o papel de tutor de um golpista brasileiro.

Deveria haver uma manifestação generalizada de todas as instituições do Brasil, inclusive da imprensa brasileira, que se contenta em apenas registrar o fato. Cadê os editoriais em defesa do Brasil e de suas instituições? A resposta? Temos uma imprensa, principalmente os grandes conglomerados de comunicação, servil aos interesses internacionais, principalmente aos Estados Unidos. Servil ao mercado financeiro e aos grandes conglomerados econômicos que pagam por suas existências. Servil à política do arrocho fiscal. Servil ao lado político que destrói reputações e que tenta levar para a indigência os pobres deste país.

O Brasil precisa continuar vigilante. A Justiça brasileira deve seguir firme, sem ceder a pressões externas nem a clamores populistas. Se Bolsonaro é culpado ou não, a Justiça é quem vai julgar. Não o falastrão presidente norte-americano. Aqui, vale a Constituição.

Imagem: ChatGPT

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