A escalada autoritária e belicista do trumpismo voltou a acender um sinal de alerta máximo entre imigrantes que vivem nos Estados Unidos, especialmente a comunidade brasileira. Em mais um gesto carregado de ameaça explícita e retórica de ódio, uma conta oficial do Departamento de Estado norte-americano publicou, em português, um aviso direto e intimidatório: “Se você vier aos Estados Unidos para roubar os americanos, o presidente Trump vai te jogar na cadeia e te mandar de volta para o lugar de onde você veio”.
A mensagem, dura e sem qualquer nuance diplomática, não é um fato isolado. Ela se soma a uma sequência de medidas e declarações que aprofundam o clima de medo, insegurança e perseguição. Para o ativista Álvaro de Castro Lima, fundador do Instituto Diáspora Brasil, o momento é de “muita apreensão” para quem vive fora do país de origem sob um governo que transforma o estrangeiro em inimigo interno.
Morando em Boston, no estado de Massachusetts, Lima relatou durante o jornal Conexão, do site Brasil de Fato, o que definiu como um ambiente permanente de tensão, alimentado por um projeto político que parece se mover pela obsessão, pela ameaça e pelo confronto. Nesta mesma semana, o governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão de processos de emissão de vistos de imigração para cidadãos de mais de 70 países, incluindo o Brasil, ampliando ainda mais o sentimento de incerteza entre famílias inteiras.
“Como imigrante, você passa a viver uma espécie de vida esquizofrênica, dividido entre dois países. Tivemos que organizar várias reuniões para explicar que os vistos atingidos não são de turismo, mas de imigração. Mesmo assim, as pessoas entram em pânico: ‘Minha mãe ainda pode me visitar? Meu irmão pode entrar no país? Vou poder rever minha família?’”, relatou o ativista.
O endurecimento das políticas migratórias também se reflete nas ações cada vez mais violentas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). As operações ostensivas em bairros, locais de trabalho e áreas urbanas não espalham medo apenas entre imigrantes, mas também entre cidadãos norte-americanos. Após a morte de Renee Good, manifestante e cidadã dos EUA durante uma ação em Minneapolis, pesquisas indicaram um aumento significativo do apoio popular à extinção dessa força de repressão.
“Isso deixou de ser apenas uma questão migratória. As pessoas hoje correm mais riscos com essa intensificação de operações, com o uso ampliado de centros de detenção e com a coordenação de várias forças armadas e policiais. É um caminho extremamente perigoso”, alertou Lima.
Para o ativista, o método adotado por Trump dentro do território dos Estados Unidos se assemelha cada vez mais a uma lógica de guerra. Ele compara a atuação das forças anti-imigrantes com ações externas de caráter militar e coercitivo, como o episódio envolvendo a Venezuela, e aponta para um padrão comum: o uso de pretextos para justificar qualquer excesso.
“Você cria um inimigo, geralmente ligado à narrativa da droga ou do crime, e com isso se autoriza a fazer tudo. Lá fora é assim, e agora dentro das cidades também. É o discurso da guerra permanente, que corrói direitos, normaliza a violência e ameaça diretamente a democracia”, analisou.
O cenário revela um governo movido por uma obsessão sem limites pelo confronto, pela intimidação e pelo medo, com uma retórica xenofóbica que transforma estrangeiros em alvos e faz da instabilidade uma estratégia política. Para os brasileiros que vivem nos Estados Unidos, o recado é claro e alarmante: o risco deixou de ser abstrato e passou a fazer parte do cotidiano.
Da Redação, com informações do site Brasil de Fato
Imagem Gerada por IA ChatGPT


