Valdemar da Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), escancarou nesta semana aquilo que já não fazia mais questão de esconder: sua submissão política e ideológica ao ex-presidente norte-americano Donald Trump. Para ele, a única saída para Jair Bolsonaro diante do iminente julgamento no Supremo Tribunal Federal seria justamente a intervenção de Trump no Brasil.
É preciso dar nome às coisas: esse comportamento é de traidor da pátria. Um político que, em vez de confiar nas instituições brasileiras, aposta suas fichas na ingerência de um estrangeiro sobre assuntos internos do país, não pode ser chamado de brasileiro de verdade. É um lambe-botas, um oportunista que só se mantém na vida pública à custa de conchavos e manipulações.
A declaração de Valdemar não é apenas um ato de desespero político diante da inevitável responsabilização de Bolsonaro e seus cúmplices pela tentativa de golpe de Estado de 2023. É também a confissão de que parte da direita brasileira já não acredita no Brasil, em suas instituições, em sua soberania. Preferem buscar salvação em Washington a reconhecer que atentaram contra a democracia.
Costa Neto chega ao absurdo de negar que o 8 de janeiro foi um golpe, reduzindo o maior ataque às instituições desde a redemocratização a uma ação de “pé de chinelo quebrando coisas”. É a mesma narrativa cínica que tenta transformar um crime contra o Estado democrático em simples vandalismo. Pior ainda: minimiza até mesmo as ameaças de assassinato contra ministros do Supremo, como se o planejamento de um crime não fosse grave em si.
Mais grave do que as palavras é o simbolismo que elas carregam. Quando o líder de um dos maiores partidos do Brasil afirma que “só Trump pode salvar Bolsonaro”, ele não apenas trai o país, mas também admite que está disposto a entregar o futuro da nossa democracia a interesses estrangeiros. Isso não é patriotismo, isso é submissão.
O julgamento de Jair Bolsonaro e de outros envolvidos no planejamento da tentativa de golpe será um divisor de águas. Mais do que punir indivíduos, será a oportunidade de reafirmar que o Brasil não aceita aventureiros, traidores e lambe-botas de potências estrangeiras como guias políticos.
Valdemar da Costa Neto já mostrou de que lado está: do lado da traição. Cabe ao povo brasileiro mostrar que o Brasil pertence aos brasileiros, não aos que se ajoelham diante de Donald Trump ou qualquer outro líder estrangeiro.
Por Damatta Lucas – Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil


