A insistência em transformar tragédias em palanque político voltou a marcar a atuação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Mesmo sob alerta meteorológico de risco extremo de descargas elétricas, chuva intensa e rajadas de vento, o parlamentar manteve uma manifestação bolsonarista na capital federal, resultando em 89 pessoas feridas após a queda de um raio, algumas em estado grave.
O episódio expõe, segundo lideranças políticas e especialistas, uma combinação perigosa de populismo, irresponsabilidade e instrumentalização da fé para fins políticos.
🌩️ A tragédia anunciada
Brasília amanheceu sob alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que previa tempestades severas, ventos de até 100 km/h e alta incidência de raios. Mesmo assim, os organizadores mantiveram o ato, que reunia apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em protesto contra sua prisão por tentativa de golpe.
Por volta das 12h50, uma descarga elétrica atingiu a região da Praça do Cruzeiro, onde manifestantes estavam concentrados. Um mastro improvisado funcionou como para-raios, espalhando a corrente elétrica e ferindo dezenas de pessoas.
Segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal:
- 89 pessoas foram atendidas
- 47 precisaram ser hospitalizadas
- 11 seguem internadas em estado grave no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN)
- Não houve mortes até o fechamento desta reportagem
A cena foi de caos: correria, desorientação, risco de pisoteamento e objetos espalhados pelo chão enquanto equipes de resgate tentavam socorrer os feridos sob chuva torrencial.
🙏 “Sinal de Deus” ou sinal de irresponsabilidade?
Mesmo diante do ocorrido, Nikolas Ferreira afirmou que a manifestação foi um “sinal” espiritual.
“Isso só pode ser um sinal”, disse, exaltando o fato de quase 100 mil pessoas permanecerem no local durante a tempestade.
A declaração foi duramente criticada por adversários e especialistas, que apontam o discurso como uma tentativa de romantizar um episódio que poderia ter terminado em mortes.
🧑⚖️ Pedido de investigação
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), anunciou que vai encaminhar representação à Polícia Federal para apurar responsabilidades.
“Mesmo com tempestade forte, os organizadores não dispersaram o ato. Um mastro improvisado virou para-raios, mais de 30 pessoas foram parar no hospital, oito em estado grave, e Nikolas fez um discurso confuso, sem solidariedade às vítimas”, afirmou.
Lindbergh também acusa o deputado de ter iniciado a marcha sem comunicação às autoridades, colocando em risco motoristas e manifestantes ao longo da BR-040.
❗ “Incidente natural”
Após visitar feridos, Nikolas minimizou o episódio, classificando-o como um “incidente natural”.
“Não foi por irresponsabilidade nossa. Foi algo que foge do nosso controle”, disse.
A declaração foi vista como negação de responsabilidade política, já que o risco era amplamente conhecido e alertado por meteorologistas.
🎯 Ataque à imprensa e narrativa de perseguição
O deputado também atacou jornalistas, acusando a imprensa de aparecer apenas após a tragédia e de tentar “manchar a imagem do movimento”.
“Parte da mídia quer tentar destruir, manchar a imagem de um movimento”, afirmou.
A estratégia de vitimização midiática é recorrente em sua atuação política e foi intensificada após o episódio.
🏦 Banco Master e suspeitas de conexões
Nikolas também tentou se desvincular das investigações envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. O deputado Rogério Correia (PT-MG) citou ligações entre figuras religiosas e políticas associadas ao parlamentar.
Nikolas reagiu chamando as acusações de “narrativa para desgastar nossa imagem”.
🧭 Populismo de risco
A marcha liderada por Nikolas partiu de Paracatu (MG) e percorreu cerca de 255 quilômetros até Brasília, com o objetivo de pressionar pela libertação de Bolsonaro. Para críticos, o ato serviu como cortina de fumaça diante de investigações e crises políticas.
⚠️ Liberdade não é licença para colocar vidas em risco
Para Lindbergh Farias, o episódio simboliza os limites da liberdade de manifestação:
“A liberdade de expressão e de manifestação política não autoriza colocar vidas em risco.”
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade de lideranças políticas ao convocar multidões em contextos de risco, especialmente quando utilizam discurso religioso e desinformação para mobilizar apoiadores.
Por Antônio Luiz, para CliquePI – Imagem: Chat GPT


